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Ventilação, palestras e álcool gel: como escolas lidam com o coronavírus

Medidas simples em sala de aula ajudam a reduzir o risco de contaminação e aplacar o pânico dos estudantes

Por Maria Clara Vieira - Atualizado em 4 mar 2020, 16h25 - Publicado em 4 mar 2020, 11h12

Expostos ao fluxo incessante de informações das redes sociais, os alunos do 4º ano do Ensino Fundamental do Colégio Santa Maria, em São Paulo, abordaram a coordenadora pedagógica Ana Cláudia Florindo com uma preocupação exagerada. “Eles voltaram às aulas com muito medo de morrer por causa do coronavírus. Tivemos que explicar qual é a verdadeira situação”, conta a docente, que liderou um estudo em grupo sobre as formas de prevenção. Alunos de todas as séries foram envolvidos no projeto, que começou com um mutirão de pesquisas. “Pedimos que eles trouxessem as informações que estavam circulando e checamos tudo. Depois, fizemos um mural”, explicou. O resultado do esforço coletivo foi um vídeo sobre a importância de cuidados básicos de higiene e a consequente diminuição do pânico.

Lavar as mãos com água e sabão (e, se possível, higieniza-las com álcool gel) várias vezes ao dia, evitar dividir objetos pessoais como copos e talheres com colegas dando preferência às garrafinhas em vez dos bebedouros e manter as janelas abertas estão entre as práticas difundidas nas escolas desde que o coronavírus aterrizou em solo brasileiro. Tanto quanto prevenir, o objetivo das medidas é tranquilizar pais e estudantes alarmados com a chegada da doença. No Santa Maria, os alunos fizeram um experimento para comprovar a importância da higiene: cortaram três pedaços de pão com as mãos sujas, lavadas com água e sabão e, por mim, higienizadas com álcool. As fatias foram deixadas em cultura e, ao final, os estudantes verificaram que a proliferação de bactérias foi muito maior no pãozinho cortado com as mãos sujas, enquanto o pedaço manuseado com álcool ficou em melhor estado. “A dica mais importante para conscientizar e conter o medo é envolver os estudantes. Eles não podem temer o desconhecido”, ressalta Ana Cláudia.

Em São Paulo, desde segunda-feira, agentes da Secretaria Estadual de Educação percorrem unidades da rede pública para propor palestras e atividades de conscientização. Na última semana, o segundo caso de coronavírus no estado foi confirmado. “Pedimos que as escolas deem dicas e façam trabalhos pedagógicos. Um professor que esteja trabalhando sobre desenvolvimento econômico pode mostrar o impacto da epidemia no mercado, imaginar uma redação de Enem, por exemplo. Também serão enviadas mensagens aos pais explicando sobre medidas básicas de prevenção”, explica o secretário de Educação, Rossieli Soares. As escolas paulistas, entretanto, não estão sendo orientadas a instalar dispositivos de álcool-gel: “Acredito que é importante que as crianças saibam se cuidar com o que têm em casa”, ressalta Soares.

No Rio de Janeiro, onde nenhum caso foi comprovado até o momento, escolas públicas e privadas também estão adotando práticas de prevenção e levando o assunto para a sala de aula. O Colégio e Curso de A a Z destacou uma equipe para monitorar os estoques de álcool gel e refis para sabonetes nos banheiros, além de manter portas e janelas abertas nos intervalos. “É importante, desde já, que a escola cumpra seu papel de educar e informar. Essas medidas são uma forma de criar hábitos entre alunos, professores e funcionários que podem minimizar riscos para todos”, diz o vice-diretor Rafael Pinna. Em nota, a Secretaria de Educação afirmou que orientou as unidades a comprarem dispositivos de álcool gel e que vai distribuir material informativo nas escolas.

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