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Pisa 2012: Cazaquistão e Albânia crescem mais que Brasil

Excetuando-se avanço em matemática entre 2003 e 2012, país patina: não se aproxima do topo do ranking internacional nem cresce rapidamente

Avaliar para mudar

O Pisa (Programme for International Student Assessment) é uma avaliação realizada a cada três anos pela OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Participam estudantes com 15 anos de idade. A avaliação pretende aferir o quanto os alunos aprenderam em sala de aula, mas também se conseguem aplicar conhecimentos na solução de problemas reais. Outro objetivo da avaliação é fornecer subsídio para políticas de educação. Em 2012, 510.000 jovens de 65 países ou regiões econômicas delimitadas (caso de Xangai) aplicaram a prova. No Brasil, foram 19.877 estudantes, divididos em 837 escolas.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, comemorou nesta terça-feira o fato de o Brasil exibir a melhor evolução, em número de pontos, na avaliação de matemática do Pisa entre 2003 e 2012. É uma constatação tão verdadeira quanto a de que o país partiu de um patamar bastante baixo nessa disciplina, 356 pontos, atingindo os 391 no relatório divulgado nesta terça-feira. Xangai, por exemplo, atingiu 613 no Pisa 2012: são 222 pontos a mais do que o Brasil.

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A evolução do Brasil na mais importante avaliação internacional de educação não é tímida somente quando se comparam os dados do país com o campeão do ranking. Entre 2009 e 2012, registramos apenas o 26º maior crescimento em matemática, o 44º em leitura (na verdade, o país perdeu 2 pontos) e o 39º em ciências – levando-se sempre em conta o número de pontos obtidos na prova. Continue a ler a reportagem

Comparações entre outras edições (a prova é feita desde 2000) revelam mais resultados ruins. A exceção é mesmo o exemplo usado pelo ministro.

E não houve só Ferraris acelerando mais do que o Brasil entre 2009 e 2012. Em leitura, por exemplo, foram mais velozes do que nós países como Peru, Albânia, Bulgária e Cazaquistão. Em matemática, novamente Cazaquistão e Albânia e Tunísia. Em ciências, Albânia e Cazaquistão insistem em avançar mais rapidamente.

Essas nações são nossas vizinhas na escala do Pisa. Todos obtiveram notas que giram em torno dos 400 pontos, que revela nível de proficiência muito baixo entre os estudantes. Xangai, no topo, tem 570 pontos em leitura e 580 em ciência.

A consultora em educação Ilona Becskeházy afirma que subimos devagarinho na régua do Pisa porque não fazemos a lição de casa. “Infelizmente, o Pisa tem muito pouco impacto nas política públicas brasileiras, exceto uma certa pressão da sociedade, que se deu conta que a educação no Brasil era muito ruim. Por isso, mudou muito pouco coisa no Brasil desde 2000. É preciso quebrar paradigmas”, diz. Priscila Cruz, diretora-executiva da ONG Todos pela Educação, faz uma ponderação acerca da comparação do avanço do Brasil frente a registrada por Cazaquistão, Albânia e vizinhos: “O desafio do Brasil é, sem dúvida, muito maior. Esses são países pequenos, como redes de ensino pequenas. Nós, por outros lado, temos 50 milhões de alunos, espalhados por um território imenso, É mais difícil coordenar uma melhoria com as escolas”.

De qualquer forma, o Brasil parece reunir duas condições negativas – excetuando-se o conhecido avanço em matemática entre 2003 e 2012: não se aproximou do topo nem cresce rapidamente.

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