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Lu Lopes: aulas de diversão para a família, sem o celular

Sucesso no teatro e na TV no papel da Palhaça Rubra, a artista inaugurou um workshop destinado a ensinar pais e filhos a brincar juntos

Por Adriana Dias Lopes - Atualizado em 31 jan 2020, 10h08 - Publicado em 31 jan 2020, 06h00

Qual é o perfil da família que procura esse tipo de workshop? Ao contrário do que muitos possam imaginar, não se trata de casais à beira da separação ou filhos perdidos, com depressão. São famílias que se desconectaram. As pessoas se encontram em casa depois do trabalho e da escola e não interagem. Cada uma fica no seu próprio universo.

A culpa é do celular? Jamais peço que reduzam o tempo de uso dos aparelhos eletrônicos. Isso não funciona para adultos, tampouco para crianças. A atitude deve ser espontânea. Se as pessoas estão gastando todo o tempo de lazer grudadas nos celulares é porque o que existe ao redor não anda muito interessante. Acredito, portanto, que o ambiente tem de ser mais gostoso e atraente.

Como são as aulas? Todos saem com uma lição de casa: uma lista de atividades prazerosas e divertidas que podem ser praticadas em grupo. Todos juntos. Ela é feita em cima do que cada um gosta de fazer. Isso não significa necessariamente ter de viajar e passear no parque de bicicleta. Já tive famílias que saíram daqui simplesmente com dicas de filmes para ver junto na Netflix. Outras com a sugestão de passar um fim de semana acampadas na sala de casa ou tomar café na cama juntas aos domingos.

Os pais deveriam passar mais tempo em casa? É claro que não dá para diminuir o tempo de trabalho do casal na imensa maioria das vezes. Mas também não acredito na máxima que diz que não importa a quantidade de tempo que se passa com os filhos, mas a qualidade. Muitas vezes priorizamos situações erradas. Não negociar no trabalho um dia de folga para ficar em casa com o filho doente, por exemplo, está errado. Ou para comemorar um feito, como passar no vestibular. Não estamos mais fazendo isso.

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Qual é o motivo dessa desconexão? A vida moderna criou um paradoxo nas famílias. Por um lado, o papel de cada um deixou de ser congelado. O pai faz as funções da mãe de antigamente, como cuidar dos filhos, ir ao supermercado e à reunião de escola. A mãe paga as contas tanto ou quanto o pai fora de casa. A avó faz as vezes da mãe. Isso é libertador porque permite que as pessoas sejam honestas com elas mesmas na intimidade. E, contudo, a sociedade ainda cobra posturas conservadoras. Sentimos culpa porque no fundo ainda tentamos seguir fórmulas mesmo quando não concordamos com elas.

E, no entanto, as pessoas continuam insistindo em formar família? Talvez seja a forma mais eficaz e insubstituível de sobrevivência da espécie, porque é protetora. Independentemente do formato que tiver. Mas, se não sentirmos prazer, isso não funcionará muito. Por isso é fundamental aprender a se divertir.

Publicado em VEJA de 5 de fevereiro de 2020, edição nº 2672

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