Jogo de empurra no caso do uniforme escolar que desensina a “encinar”

Secretaria de Educação e centro de capacitação, ambos do DF, negam responsabilidade pela produção de camiseta com erro de grafia

Por Bianca Bibiano - 17 mar 2014, 15h41

Atualizado às 17h45

Na última sexta-feira, Taynara Santos, moradora de Brazlândia, publicou em seu Facebook uma foto da camiseta de uniforme recebida por seu irmão, que estuda no Centro de Ensino Médio 01, mantido pelo governo do Distrito Federal. Na camiseta, a palavra “ensino” aparece grafada como “c” – “encino”: a imagem virou motivo de piada na rede social, com quase 10.000 compartilhamentos. “Olha só o nível da camiseta distribuída pelo GDF às escolas públicas. Estão ‘ENCINANDO’ direitinho”, brincou.

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Procurada pelo site de VEJA, a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF) admitiu que as camisetas foram distribuídas aos estudantes em suas escolas. Ainda assim, o órgão tentou se eximir de responsabilidade, afirmando que os uniformes são produzidos pela Fábrica Social, centro de capacitação profissional vinculado ao governo.

Em sua página do Facebook, porém, a Fábrica Social afirma, por meio de nota, que as 2.800 camisetas produzidas por ela e entregues ao Centro de Ensino Médio 01 não contêm erros ortográficos.

A rede escolar do Distrito Federal atende cerca de 445.000 estudantes, segundo o Censo Escolar de 2013.

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Em comunicado oficial, a secretaria esclarece que “há indícios de adulteração em seus novos uniformes escolares. As possíveis fraudes identificadas serão investigadas pela Polícia Civil, buscando-se a punição para seus autores. A SEDF afirma que foram produzidas pelo Programa Fábrica Social, mais de 2.800 camisetas para o Centro de Ensino Médio 01 de Brazlândia, todas por intermédio de uma única tela de reprodução em silkscreen, que agora se encontra em poder da SEDF para evitar novas investidas. A divulgação na imprensa do uniforme com grafia errada está sendo tratada como ato de sabotagem pelas duas instituições. Considera-se impossível a reprodução de 27 camisas erradas no universo de 2.800 corretas, observando-se a técnica de produção”. A nota ainda informa que fotos dos moldes corretos serão divulgadas no site da SEDF.

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