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Inep estuda forma de punir gracinhas em futuras redações do Enem

Presidente da autarquia acha que precisa de um novo edital para adotar o mais elementar conceito da educação: dar nota zero a quem debocha do avaliador

Por Da Redação 21 mar 2013, 16h19

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) anunciou nesta quinta que estuda alterações no edital do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2013. As mudanças foram sugeridas pelo presidente da autarquia, Luiz Cláudio Costa, depois que foram identificadas dissertações com referências a receita de miojo e hino de time, ambas encaradas como deboche por Costa.

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“As redações foram corrigidas segundo o edital. Esses estudantes não fugiram completamente ao tema e, por isso, não há motivos para anulação. Os avaliadores analisaram o que havia de bom em cada um deles”, disse Luiz Cláudio Costa ao site de VEJA. “No entanto, estou convecido de que é preciso haver uma punição para quem debocha não só dos corretores, mas também dos demais candidatos que fazem a prova com seriedade”, acrescentou. Segundo ele, a intenção atribuir nota zero a brincadeiras como estas já na prova deste ano.

Nesta semana, duas redações ganharam fama. A primeira delas ensinava aos corretores do Enem a receita de um macarrão instantâneo. “Para não ficar muito cansativo, vou agora ensinar a fazer um belo miojo, ferva trezentos ml’s de água em uma panela, quando estiver fervendo, coloque o miojo, espere cozinhar por três minutos, retire o miojo do fogão, misture bem e sirva (sic)”, escreveu o candidato. Em outra, o hino do Palmeiras ocupava dois parágrafos completos do texto. Um trecho dizia: “As capitais, praias e as maiores cidades são os alvos mais frequentes dos imigrantes, porque quando surge o alviverde imponente no gramado onde a luta o aguarda, sabe bem o que vem pela frente que a dureza do prélio não tarda.”

Apesar das gracinhas, os dois candidatos receberam, respectivamente, 560 e 500 pontos – uma avaliação justa, segundo Costa. “O que aconteceu é que foi detectado um desvio da proposta e por conta disso, houve uma penalização severa, de cerca de 500 pontos nos dois casos.” As considerações levantadas nesta quinta-feira pelo presidente do Inep serão agora levadas a uma comissão técnica, que avaliará quais serão as alterações no edital do Enem 2013.

Ortografia – Luiz Cláudio Costa comentou também os erros de ortografia identificados em textos nota 1.000. Segundo reportagem do jornal O Globo, dissertações com nota máxima traziam erros grotescos de escrita, tais como “trousse”, “enchergar” e “rasoavel”. “Reitero que as redações foram corrigidas segundo o edital, que prevê que o corretor desconsidere erros escassos. Todos os candidatos em questão se mostraram capazes de construções sintáticas complexas, apresentaram boa pontuação e vocabulário rico. Por alguma razão, que pode ter sido stress ou pressa, eles cometeram um deslize.”

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Costa afirmou ainda que essa é uma prática comum em outros concursos. “Existem duas correntes a respeito. A primeira diz que uma redação nota máxima precisa ser impecável. A outra, é mais flexível, aceita um erro como ‘trousse’ caso seja um tropeço isolado. A nossa postura é a de relevar. De qualquer forma, essa será uma discussão que será levada aos técnicos do Enem. Se julgarmos necessário, haverá mudanças na nossa postura.”

*Atualizada às 19h10 para acréscimo de informações

Entenda como é corrigida a redação do Enem:

Etapas da correção

Passo 1 O primeiro avaliador atribui uma nota para cada uma das cinco competências exigidas pelo MEC. Cada item vale 200 pontos. Dessa forma, a nota total do aluno pode variar de 0 a 1.000 pontos. Passo 2 O segundo avaliador repete o processo do primeiro e também atribui uma nota de 0 a 1.000 à redação. Quando a diferença entre as notas dos dois corretores é inferior a 200 pontos, a nota final do aluno é composta pela média aritmética das duas notas. Desempate Quando há uma discrepância de 200 ou mais pontos entre as duas notas – ou uma diferença de 80 pontos em alguma das competências avaliadas – um terceiro avaliador é convocado. Até 2011, a diferença tolerada era de 300 pontos. Passo 3 O terceiro avaliador analisa a redação e atribui a ela uma nota entre 0 e 1.000 pontos. Quando não há uma discrepância superior a 200 pontos entre o terceiro e pelo um dos outros avaliadores, a nota final é a média aritmética das duas notas que mais se aproximam. Desempate Nos casos em que a diferença de 200 pontos entre os três avaliadores persiste, uma banca composta por outros três profissionais é convocada. Passo 4 Após a avaliação dos três integrantes, uma nova nota é atribuída ao candidato.

Competências avaliadas no texto

Número 1 Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita. Número 2 Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. Número 3 Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. Número 4 Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. Número 5 Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Razões da nota zero

Razão 1 Não atender à proposta solicitada ou apresentar outra estrutura textual que não seja a do tipo dissertativo-argumentativo. Razão 2 Deixar a folha de redação em branco. Razão 3 Escrever menos de sete linhas na folha de redação, o que configura “texto insuficiente”. Linhas com cópias do texto de apoio fornecido no caderno de questões não são consideradas na contagem do número mínimo de linhas. Razão 4 Escrever impropérios, fazer desenhos e outras formas propositais de anulação Razão 5 Desrespeitar os direitos humanos

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