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Haddad tenta justificar vazamento: ‘É comum’

Por Adriana Caitano 28 out 2011, 14h15

Depois de passar a semana fugindo da imprensa, o ministro da Educação, Fernando Haddad, finalmente falou publicamente sobre o vazamento de questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Após evento político na Câmara Municipal de São Paulo, nesta sexta-feira, Haddad concedeu uma rápida entrevista, tentando explicar a falha simplesmente citando mais problemas. Para o ministro, pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, o caso “é comum nos Estados Unidos”, onde é aplicado o SAT, prova na qual o Enem é inspirado.

A falha mais grave do Enem

Instituído em 1998 como ferramenta de medição da qualidade do ensino médio, o Enem foi transfigurado, em 2009, em vestibular. Desde então, coleciona turbulências, como furto de provas e erros de impressão. O problema que sacode a edição 2011, contudo, é mais grave. Dias antes de sua realização, em 22 e 23 de outubro, alunos do Colégio Christus, em Fortaleza, tiveram acesso a 14 questões que constavam da avaliação federal. Pior: suspeita-se que estudantes de outras instituições viram os testes. Isso configura um ataque ao princípio da isonomia do exame, segundo o qual todos os participantes devem estar submetidos às mesmas condições ao realizar a prova. O episódio também revela uma falha no processo de aplicação do Enem, ainda a ser detalhada pela investigação em curso na Polícia Federal.

De acordo com o ministro, nesta semana sete estudante americanos foram indiciados por fraudar o exame. “A prova deles tem 40 anos e a todo mundo isso acontece. Por ano, de 1.000 a 2.000 testes são anulados lá por terem sido identificadas práticas indevidas. Mas o autor sempre é encontrado”, relatou. “Como isso é novo no Brasil, as pessoas ainda imaginam que podem burlar o sistema, mas elas também serão identificadas.”

Na quinta-feira, foi aberta uma ação judicial pelo Ministério Público para que as questões vazadas sejam anuladas para todos os inscritos no Enem. “A tese do MEC é que deve ser adotado o mesmo procedimento que utilizamos sempre nessas circunstâncias, que é reaplicar o exame somente para os afetados, para que as condições de isonomia sejam resgatadas”, defendeu o ministro.

Haddad afirmou que o pré-teste do Enem é aplicado em escolas sorteadas no país e que, após a correção da prova, todos os cadernos são incinerados. “O que ocorreu foi que, durante a aplicação alguém copiou algumas questões, provavelmente por meio eletrônico, e repassou aos alunos às vésperas do exame”, acusou. Para Haddad, o Enem não pode ser aplicado sem que algumas questões sejam testadas.

Segundo ministro, o problema só será evitado completamente com a aprovação de mudanças no Código Penal previstas por um projeto de lei de autoria do governo que tramita no Senado. A proposta prevê que a pena para quem frauda concursos e seleções seja agravada. “Se as pessoas forem punidas exemplarmente, vai ser criada a consciência de que é melhor estudar”, destacou.

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