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Estica, amassa e aperta

O slime, massa de aspecto gelatinoso, virou febre entre as crianças (e os adultos) do Brasil. A graça é fazê-lo em casa, com produtos comprados em farmácia

 (Arte/VEJA)

Uma rápida busca no Instagram com o termo #slime traz um resultado impressionante: 11 milhões de publicações marcadas na rede social. Em pleno ano de Copa do Mundo, a título de comparação, #futebol teve a metade desse montante. Slime, em inglês (lê-se “islaime”; lodo, em português), é uma massa de aspecto gelatinoso que se transformou em mania entre as crianças, e mesmo entre os adultos. Semelhante à antiga geleca industrializada dos anos 1980, pode ser comprado pronto em lojas de brinquedo. Mas a graça toda é prepará-lo com compostos domésticos. As receitas, que começaram a ser divulgadas em vídeos caseiros feitos na Tailândia, levam os mais variados ingredientes — espuma de barbear e hidratante (para dar maciez), cola e água boricada (juntas, dão a consistência) e enfeites como corante, glitter e bolinhas de isopor (conheça uma das receitas na pág. ao lado). Luiza De Maria Mutarelli, de 8 anos, tem uma coleção de slimes em casa, todos preparados por ela. “Levo para a escola, a casa dos meus avós, a casa dos amigos e o clube”, diz.

O processo artesanal de elaboração da engenhoca fez com que fosse adotada em terapias infantis, em consultórios de psicólogos. O trabalho manual estimula a paciência, o raciocínio e a coordenação motora. A possibilidade de personalização contribui para o aumento da autoestima, perseverança e criatividade. Diz a psicoterapeuta Fernanda Grinberg: “Uma das maiores qualidades é ajudar a criança a lidar com frustrações”. Isso porque muitas vezes as substâncias escolhidas ou as quantidades empregadas não formam uma massa com a textura desejada, e tem-se sempre a impressão de resultado ruim, mesmo que não seja. Há um pequeno risco de uso de material indevido, de produtos químicos que podem provocar irritação na pele — mas nada grave. De todo modo, o slime é indicado para crianças com mais de 3 anos.

Já não há dúvida alguma do estrondoso sucesso da brincadeira. Um levantamento realizado para VEJA pela Consulta Remédios, empresa que compara preços de medicamentos na internet, mostrou que entre janeiro e novembro de 2018 ocorreu um aumento de mais de 1 000% nas buscas on-line por água boricada e de 300% por creme de barbear, em relação ao mesmo período do ano anterior. O produto embalado custa cerca de 8 reais. Mas, repita-se, como o legal é montar um laboratório químico no banheiro ou na área de serviço, pais, preparem-se, se é que já não sentiram no bolso: os kits chegam a 500 reais.

Publicado em VEJA de 2 de janeiro de 2019, edição nº 2615