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Enem: melhores escolas ‘pobres’ superam piores ‘ricas’

Resultado de algumas instituições com o indicador socioeconômico "muito baixo" foi superior à média das piores instituições com o índice "muito alto"

O Ministério da Educação divulgou nesta segunda-feira as notas do Enem 2013 por escolas. Em comparação com anos anteriores, o MEC acrescentou uma informação aos dados das instituições: o indicador socioeconômico, ou seja, um índice da situação das famílias dos estudantes, que foram divididas em sete níveis. “Na análise de dados educacionais, é particularmente necessário descrever o contexto social dos alunos, que tem grande influência nos resultados”, disse em nota Chico Soares, presidente do Inep, órgão do MEC responsável pelo Enem. É uma visão corroborada por numerosos educadores.

Os dados confirmam essa influência. Entre as 14.715 instituições listadas pelo MEC, as que obtiveram as melhores notas ostentam indicador socioeconômico “muito alto”. Na outra ponta, onde estão as escolas com as piores médias, o índice é “muito baixo”.

Há, contudo, instituições – e, portanto, alunos -, que desafiam essa lógica, mostrando que existem estratégias eficazes para aprimorar o desempenho dos estudantes que enfrentam condições econômicas adversas. Um exemplo: o desempenho das melhores escolas “pobres” bate o das piores escolas “ricas”, quando são consideradas as médias das notas obtidas pelos estudantes nas grandes áreas do Enem: ciências da natureza, ciências humanas, matemática e linguagens. Assim, a nota das dez das melhores instituições do grupo com indicador socioeconômico “muito baixo” é superior às duas piores notas entre as instituições com índice “alto”, que foram 457 e 460.

As escolas com índice socioeconômico “muito baixo” e suas respectivas médias:

1. Aiuaba EEM, de Aiuaba (CE): 474.32

2. EEEFM Dr. Laudelino Pinto Soares, de Aurora do Pará (PA): 473.47

3. Unid. Esc. Maria Isaías de Jesus, de Domingos Mourão (PI): 471.43

4. EE Prefeito Epaminodas Ramos, de Jequitinhonha (MG): 466.21

5. Santa Tereza EEM, de Altaneira (CE): 463.78

6. Unid. Esc. Luiz Ubiraci de Carvalho, de Vila Nova do Piauí (PI): 463.13

7. Dr. João Almir de Freitas Brandão EEM Liceu de São Benedito, de São Benedito (CE): 462.41

8. EE Professora Odília Cândida de Sousa, de Minas Novas (MG): 460.93

9. Colégio Municipal Tarcísio Paes de Figueiredo, de Macaé (RJ): 460.51

10. Esc. Centro Rural de Ensino Médio, de Senador Guiomard (AC): 460.02

Ranking completo – No link a seguir, você pode consultar o ranking das escolas organizado por VEJA.com: na lista, as instituições aparecem ordenadas de acordo com a média das notas obtidas por seus alunos nas provas de múltipla escolha, ou seja, nas áreas de ciências humanas, ciências da natureza, matemática e linguagem – a nota de redação não entra no cálculo. A lista inclui a nota de 14.715 escolas em que mais de 50% de alunos compareceram à avaliação federal.

A página com o ranking traz ainda um link que dá acesso ao arquivo original divulgado pelo MEC (formato .xls). A consulta a esse arquivo exige prática no programa Excel e no manuseio de grandes quantidades de dados. As notas da instituições, por exemplo, estão separadas segundo as áreas do Enem (ciências humanas, ciências da natureza, matemática, linguagem e redação) e não há uma média geral.

Confira as notas por escola no Enem 2013

Entre as 100 melhores escolas, apenas sete são públicas, sendo que seis delas são administradas pelo governo federal e apenas uma por governo estadual – o colégio de aplicação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Todas as 100 primeiras instituições do ranking apresentam nível socioeconômico “alto” ou “muito alto”, de acordo com os dados do MEC. Do total de escolas que entraram no ranking, 8.313 pertencem ao sistema público de ensino.

Os dados também incluem informações gerais, como o porte da escola em número de matrículas, e também dados socioeconômicos. As notas são agrupadas por área de conhecimento da prova – ciências da natureza, ciências humanas, linguagens, matemática e redação. Em 2013, cerca de 5 milhões de candidatos participaram do exame.