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Enem 2015: prova mais difícil que a de anos anteriores

De acordo com professores do Anglo Vestibulares, o exame ‘subiu de nível’ este ano. A redação deste domingo teve um tema próximo dos alunos, mais fácil de resolver que as outras provas

Um exame bem feito, que exige dos estudantes o conhecimento das matérias e também uma sofisticada capacidade de leitura e interpretação. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que se encerrou neste domingo, com as provas de linguagens, matemática e redação, apresentou um grau de dificuldade elevado este ano e, de acordo com os professores, cobrou dos candidatos fôlego para responder as longas questões.

Logo após o início do exame o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) divulgou o tema da redação: a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira.

“Por ser um tema bastante próximo dos estudantes, o tema pode ser considerado mais fácil este ano. É quase impossível que o aluno não tenha discutido esse assunto nos últimos seis meses e, por isso, o mais provável é que ele tivesse bastante repertório para apresentar uma solução para o fato apresentado no enunciado”, disse ao site de VEJA Eduardo Calbucci, professor de português do Anglo Vestibulares.

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Enem 2015: prova bem elaborada, que exigiu muito conhecimento dos alunos

Prova de alto nível – De acordo com os professores, no geral, as questões foram bem elaboradas e o exame esteve mais exigente em 2015.

“A prova ‘subiu de nível’ este ano, com questões bem feitas e que cobram do aluno uma grande capacidade de interpretação”, disse ao site de VEJA Thiago Dutra de Araújo, professor de matemática do Anglo Vestibulares. “As questões costumam exigir que o aluno interprete o enunciado da questão, seu contexto e saiba extrair dali uma ferramenta para respondê-la. No entanto, cada vez mais a prova se aproxima de um vestibular, cobrando dos alunos conteúdos sofisticados.”

A prova de matemática deste ano pediu que os candidatos usassem longas séries de cálculos e operações com números com vírgulas, além de conhecimentos sofisticados, como trigonometria ou logaritmos. “As questões foram numericamente mais trabalhosas, mais difíceis de serem resolvidas. Com os enunciados compridos, talvez alguns candidatos nem tenham respondido toda a prova”, disse Araújo.

Por ser uma prova longa, as questões também pedem que o candidato tenha bons conhecimentos do sistema de correção da prova, que segue a Teoria da Resposta ao Item (TRI) na qual acertos e erros têm pesos relativos, sendo o desempenho final determinado pela combinação de resultados. O ideal é que o aluno comece pelas questões mais fáceis, passe pelas médias e termine com as difíceis. Saber dividir o tempo para cada questão, além da redação, é habilidade-chave para garantir uma boa nota no exame.

“Para fazer um bom curso superior, o estudante precisa ter uma excelente capacidade de leitura e contextualização, além de saber organizar o tempo e seus conhecimentos. É o isso que o Enem cobra, ano a ano, de maneira bastante competente”, disse Calbucci, professor de português do Anglo Vestibulares.