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Ciência sem Fronteiras abre inscrições para bolsas

Universitários podem realizar parte da graduação no Brasil, parte no exterior

Foram abertas nesta terça-feira as inscrições para o programa Ciência sem Fronteiras (CsF), do governo federal, que concede bolsas de estudos em cursos de ensino superior. Os candidatos podem pleteiar o benefício na modalidade “sanduíche”, em que parte da graduação é realizada no exterior, para os seguintes países: Austrália, Alemanha, Canadá, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Holanda, Hungria, Itália, Japão, Noruega, Portugal e Suécia. Os interessados têm até o dia 14 de janeiro para preencher um formulário no site do programa.

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Para concorrer, é preciso ser brasileiro, estar matriculado em um curso de nível superior em uma das áreas prioritárias do programa, haver cumprido entre 20% e 90% do currículo do curso e se comprometer, após a conclusão da graduação, a permanecer no Brasil por um período equivalente ao dobro da duração do curso no exterior.

A nova chamada do CsF impede a participação de estudantes de mais de 20 cursos, em sua maioria da área de humanas. Publicidade, artes plásticas, cinema e jornalismo, além de graduações na área de saúde, como enfermagem e fisioterapia, foram excluídas da lista. Apesar do programa ter como foco a área tecnológica, estudantes de humanas conseguiam se candidatar em uma área chamada indústria criativa. Mais de 1.000 estudantes forma selecionados dessa forma.

Indignados, três estudantes, que representam mais de 2.000 universitários, entraram com ações judiciais contra o veto. Foram acionadas as Procuradorias da República no Ceará, Alagoas e no Distrito Federal.

Segundo o procurador da República no Ceará, Oscar Costa Filho, que ingressou na segunda-feira com uma ação na Justiça Federal, a retificação nessa segunda chamada deveria ser feita com base em um novo edital. “O Ministério da Educação vai ser autuado nesta terça-feira e terá até sexta-feira para prestar esclarecimentos”, informou.

Já Jorge Guimarães, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), um dos órgãos responsáveis pelo CsF, afirma que a medida é “irreversível”. “Cada chamada é um edital novo. Não teríamos a quem informar previamente”, diz.

Os estudantes dos cursos vetados contestam. Eles argumentam que o edital é apenas um, mas com dois cronograma de inscrições, nos meses de agosto e novembro. “Esperamos uma nova posição do governo”, afirma a estudante de fisioterapia da Universidade de São Paulo (USP) Takae Kitabake, que conta ter gasto 1.800 reais com curso de inglês e certificação no idioma para ter mais chances de conseguir a bolsa.

A estudante de publicidade da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Jéssica de Brito é outra que está decepcionada. “Senti que o meu curso foi absolutamente desrespeitado”, diz. Os estudantes lançaram um abaixo-assinado que será entregue à Capes. Até segunda-feira, o documento reunia quase 3.000 assinaturas.

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