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Carreira: a chave para o autoconhecimento

Amada por alguns, odiada por outros, a dinâmica em grupo traz benefícios não só para as empresas de recursos humanos, mas também para os candidatos

“Você pode descobrir mais a respeito de uma pessoa em uma hora de jogo do que em um ano de conversa”, disse Platão, filósofo grego, 2.500 anos antes de a dinâmica em grupo se transformar em etapa quase obrigatória nos processos de seleção. Nos séculos XVIII e XIX, a ideia de que o jogo revelava traços de caráter e aptidões passou a ser explorada de maneira sistemática pela psicologia e pela sociologia. E é nesse conhecimento sistemático que se apoiam as famosas dinâmicas, amplamentente utilizadas pelas empresas de recrutamento na seleção de candidatos para empresas de todos os setores. “Elas nos ajudam a identificar habilidades que geralmente não ficam claras durante as entrevistas presenciais”, explica Renata Moraes, gerente de Desenvolvimento Institucional da Fundação Estudar. Paula Esteves, diretora da Cia de Talentos, empresa de seleção que hoje atua no recrutamento de gigantes como Google, Unilever e Nestle, é da mesma opinião e adianta que durante as dinâmicas é possível identificar perfis que mais se adequem ao espírito da companhia.

Em síntese, essas oficinas são vivências em grupo, organizadas de modo a obrigar os participantes a tomar decisões e assumir diferentes papéis. Segundo Sandra Betti, sócia da MBA Empresarial Consultoria em RH, as dinâmicas permitem aos avaliadores medir o grau de iniciativa dos candidatos, bem como seu espírito de liderança, motivação, cooperação, comprometimento e outras qualidades da inteligência emocional, raramente explicitadas durante entrevistas, quando o profissional tem maior controle da situação.

Quem já passou por uma dinâmica sabe bem o quão embaraçoso e desconfortável pode ser o exercício, geralmente aplicado entre pessoas que nunca se viram na vida e que estão, na prática, disputando uma mesma posição. O estranhamento, no entanto, é natural. “Nessas atividades o risco e as variáveis são maiores, já que não existem cartas marcadas e nem um modelo padrão”, diz Betti. “Os formatos e o conteúdo de uma dinâmica variam de caso para caso e dependem muito da necessidade da empresa para a qual foi formulada.”

Vale ressaltar, no entanto, que essas atividades não visam separar os melhores dos piores ou os vencedores dos perdedores. “Os candidatos não competem entre si durante uma dinâmica”, diz Esteves. “Trata-se de um processo transparente, onde se avalia a forma como as pessoas trabalham e aprendem”, completa Betti.

Para os especialistas, as oficinas assustam os profissionais porque conseguem derrubar imagens que as pessoas projetam de si mesmas. Como o processo de autoanálise muitas vezes causa desapontamento, é comum que os candidatos tenham medo de expor ou encontrar falhas em si mesmos – aquelas visíveis apenas através das lentes de aumento dessas dinâmicas. O mais importante, contudo, é usar essas oportunidades para exercitar o autoconhecimento. Nada impede que sob a figura de um tímido, exista um grande líder.

Durante o primeiro encontro dos 50 semifinalistas do Prêmio Jovens Inspiradores, promovido por VEJA.com em parceria com a Fundação Estudar, as oficinas foram decisivas para a escolha dos 10 finalistas, que serão divulgados no dia 21 de agosto. Confira a seguir três vídeos que resumem as atividades desses jovens, os futuros líderes do Brasil:

Os testes feitos pelos candidatos:

Montando um parque de diversões:

O perfil do Jovem Inspirador:

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