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Brasil decepciona em ranking de investimento em pesquisa

País ocupa o 23º lugar entre 30 nações em estudo que aponta onde professor universitário recebe mais verbas privadas para pesquisa. Coreia do Sul lidera

Por Lecticia Maggi 12 ago 2013, 00h36

Estudo divulgado nesta segunda-feira pela publicação britânica Times Higher Education, responsável pelo mais respeitado ranking internacional de universidades, aponta que os professores sul-coreanos de ensino superior recebem anualmente quase 100 000 dólares do setor privado para realizar pesquisas. A Coreia do Sul ocupa, assim, a primeira colocação em uma lista que reúne trinta países. O Brasil figura em 23º lugar, com uma média de 14 900 dólares por ano para cada pesquisador – posição que, segundo o editor da THE, Phil Baty, é uma performance aquém da esperada.

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O ranking World Academic Summit Innovation Index se propõe a medir a capacidade de as universidades atraírem investimentos de fontes diversificadas e, dessa forma, não ficarem refém do financiamento público para a realização de pesquisas. Para isso, a THE contabilizou o montante que cada uma das 400 instituições que integram o ranking de elite do ensino superior mundial recebeu por ano de organizações privadas. Depois, as instituições foram agrupadas por nação, e o valor que receberam do setor privado foi dividido pelo número total de profissionais que compõe seu corpo docente.

Enquanto a Europa domina o ranking em termos quantitativos, com a presença de quinze países, a Ásia se destaca por colocar cinco participantes no top 10: Coreia do Sul, Singapura, Taiwan, China e Índia (confira o ranking).

“A universidades coreanas provaram que são excelentes na arte de atuar em parceria com as indústrias, atraindo investimento privado e transformando o conhecimento que detêm em sucesso comercial. Essa é uma das razões que leva essas instituições a ganhar, ano após ano, posições nos principais rankings universitários”, afirmou Phil Baty, em entrevista ao site de VEJA.

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Segundo ele, as empresas estão interessadas, principalmente, na área de pesquisa aplicada à tecnologia e à engenharia – segmentos capazes de gerar impactos significativos e relativamente rápidos na economia, além de propiciar retorno financeiro elevado. “As universidades são fundamentais para o futuro da economia. Elas não podem se dar ao luxo de serem pontos isolados de conhecimento. Ao contrário. Hoje, a missão essencial de uma instituição é fazer com que suas ideias e invenções saiam dos laboratórios e cheguem ao mundo real”, afirmou Baty.

Nesse sentido, o Brasil ainda tem muito a aprender. Com investimento privado médio de 14 900 dólares por pesquisador, o país ocupa uma posição mediana no ranking: está à frente de nações desenvolvidas, como Itália (14 400 dólares) e Grã-Bretanha (13 300), mas atrás de Rússia (36 400) e África do Sul (64 400).

“As universidades brasileiras, como um todo, não estão se destacando nos rankings mundiais como era esperado. O 23º lugar, ainda que seja melhor do que o alcançado por alguns dos principais países desenvolvidos, mostra que o Brasil tem muito a avançar. Saber como atrair mais investimento do setor privado é, creio, um elemento-chave para o sucesso do país”, diz.

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