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Espanha prevê ajustes de 102 bilhões de euros até 2014

Por Da Redação
3 ago 2012, 17h13

A Espanha prevê ajustes de 102 bilhões de euros até o final de 2014, um total que inclui o plano de rigor de 65 bilhões anunciado em julho, segundo o projeto de orçamento prometido por Madri a seus sócios da zona do euro e divulgado nesta sexta-feira pelo governo.

Estes ajustes incluem ainda 35 bilhões de euros obtidos pela alta do IVA a partir de 1º de setembro, assim como cortes no funcionalismo e nos orçamentos regionais de saúde e educação.

O projeto foi enviado à Comissão Europeia (CE), que afirmou que a Comissão celebra a aprovação do orçamento plurianul e “analisará exaustivamente” o programa orçamentário elaborado pelo governo de Mariano Rajoy.

A Comissão recordou que o governo espanhol se comprometeu com Bruxelas a reduzir o déficit público a 6,3% do PIB este ano, depois dos 8,9% de 2011, de maneira a alcançar a meta de déficit de 2,8% para 2014. Madri espera, dessa forma, acalmar os mercados, que têm cobrado taxas isustentáveis pela emissão de títulos da dívida do país.

O presidente do BCE, Mario Draghi, considerou na véspera inaceitáveis as taxas pagas pela Itália e Espanha para financiarem-se e deixou aberta a porta para que seu organismo realize “operações no mercado aberto de uma dimensão adequada”, assim como medidas não convencionais, que não especificou.

“O que quero é conhecer quais são estas medidas, o que significam, se são adequadas e, então, à vista as circunstâncias, tomaremos uma ou outra decisão”, afirmou.

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“Farei como sempre faço, o que creio que convém ao interesse geral dos espanhóis”, acrescentou, assegurando que não tomou ainda nenhuma decisão sobre um pedido de ajuda.

Em seu comparecimento ante os ministros, Rajoy fez um balanço de seus sete meses de governo, repassando as sucessivas medidas de austeridade e reformas estruturais em inúmeros âmbitos, entre eles o trabalhista e o financeiro.

“Nestes primeiros meses, em termos de controle das contas públicas e de reformas estruturais, se fez um grande esforço”, afirmou Rajoy.

Ele enfatizou que as reformas estruturais terão de continuar no futuro.

O líder do conservador Partido Popular (PP) assegurou, no entanto, que não tem a intenção de diminuir as pensões em 2013, mas que seguirá adiante com sua política de reformas destinada a sanear as contas públicas.

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“Com os dados que trabalho, não tenho a intenção de baixar as pensões no próximo ano”, afirmou.

Com a luta contra um desemprego de 25% como prioridade e pressionado entre o mal-estar social e os interesses dos mercados e de seus sócios europeus, o governo espanhol se esforça por reduzir o déficit público a 6,3% do PIB este anos, frente aos 8,9% de 2011.

Contudo, a draconiana política de austeridade realizada desde sua posse em dezembro não teve efeito no momento na má saúde financeira do país, que centra as preocupações dos mercados exigindo taxas cada vez mais elevadas para financiar-se.

Esta disparada do preço a ser pago pela Espanha fará aumentar em 8 bilhões de euros os juros que o país deverá pagar em 2013, e que já alcançam 28 bilhões de euros este ano, segundo Rajoy.

A falta de contundência na intervenção de Draghi provocou na quinta-feira uma nova sacudida nos mercados: a bolsa de Madri perdeu 5,16% e o prêmio de risco espanhol voltou a disparar, superando a barreira dos 600 pontos.

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