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Dólar supera R$ 1,80 após nova medida sobre IOF

Medida cambial do governo faz mercado reagir e moeda americana fecha a 1,805 real, maior valor em mais de dois meses

A decisão do governo brasileiro de aumentar novamente o prazo mínimo para isenção de cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de câmbio nesta segunda-feira surtiu efeito no mercado. O dólar subiu pelo sétimo dia consecutivo e fechou no maior nível em mais de dois meses, voltando ao patamar de 1,80 real.

A moeda americana teve alta 1,12%, chegando a 1,8050 real na venda. Foi a primeira vez que a cotação fechou acima de 1,80 real desde 11 de janeiro. Na máxima do dia, o dólar chegou a ser cotado a 1,8336 real – valorização de 2,72%.

Em março, o dólar acumula alta de 4,94%, maior valorização mensal entre as 36 divisas mais negociadas nos mercados globais de câmbio, segundo dados da Thomson Reuters. No acumulado do ano, a desvalorização ainda é de 3,42%.

Aumento do IOF – Nesta manhã, o Planalto surpreendeu o mercado ao elevar, de três para cinco anos, o prazo para isenção de cobrança dos 6% do IOF sobre empréstimos contraídos em dólar no exterior. O Ministro da Fazenda disse, em nota, que a medida reforça a decisão do governo federal de reduzir o fluxo de capital especulativo e classificou a medida como “prudencial”.

Na prática, as instituições financeiras e empresas brasileiras que quiserem se beneficiar de capital barato no exterior terão de deixar o dinheiro no Brasil por, pelo menos, cinco anos – caso contário, serão taxados em 6%. O mesmo ocorre para estrangeiros que efetuarem operações de câmbio no Brasil.

Trata-se da mais uma tentativa brasileira de conter a valorização do real em relação a outras moedas por causa do excesso de entrada de capital estrangeiro no país, que a presidente Dilma Rousseff classificou de ‘tsunami monetário. Em 1º de março, o prazo para cobrança do IOF já havia sido elevado de dois para três anos.

À época, Guido Mantega disse que o aumento visava combater a “guerra cambial” e a especulação. “Estados Unidos, Europa e Japão estão fazendo política expansionista, com juros baixos e excesso de crédito. E eles escolhem o Brasil para derramar parte desses recursos porque o país dá segurança”, disse o ministro. “

Claramente o governo tem apertado o cerco, e isso tem criado um clima de insegurança”, diz o consultor financeiro da Previbank Jorge Lima. “Ninguém quer arriscar ficar vendido (em dólar) desse jeito”. No dia 18 de fevereiro, a coluna Radar On-line, do site de VEJA, havia revelado a intenção do governo de mexer no IOF para conter a valorização do real.

(com Reuters e Agência Estado)