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Vaias para Scarlett Johansson nua em ‘Under the Skin’

O diretor inglês Jonathan Glazer se baseou livremente no romance de Michael Faber para mostrar a jornada de uma extraterrestre que assume forma humana – como não é boba nem nada, ela ganha a casca de Scarlett Johansson

Por Mariane Morisawa, de Veneza - 3 set 2013, 17h56

Nem Scarlett Johansson em vários estágios de nudez comoveu os jornalistas. Under the Skin, de Jonathan Glazer, apresentado na competição do 70º Festival de Veneza nesta terça-feira, recebeu uma quantidade bem considerável de vaias ao final da segunda sessão de imprensa. Claro que isso não é garantia de nada, porque imprensa é imprensa, e júri é júri – dois anos atrás, A Árvore da Vida, de Terrence Malick, foi vaiado pelos jornalistas, mas terminou ganhando a Palma de Ouro em Cannes, em 2011.

O diretor inglês se baseou livremente no romance de Michael Faber para mostrar a jornada de uma extraterrestre que assume forma humana – como não é boba nem nada, ela ganha a casca de Scarlett Johansson, de cabelo curto, encaracolado e preto. Sua missão na Terra é seduzir homens (uma tarefa fácil, claro) e levá-los para uma entidade maior, que aparentemente se alimenta deles. Na sua jornada, a alienígena encontra os mais diversos tipos, de gente que quer tirar vantagem a pessoas genuinamente generosas – como é na vida. Aos poucos, ela começa a se humanizar.

Under the Skin é bastante estilizado, com algumas cenas que mais parecem instalações de arte e que nem sempre funcionam. O ritmo é lento, mais preocupado em criar uma atmosfera fantasmagórica do que em contar uma história (até porque não há muita a ser contada). “O filme fala de sexo, amor, vida e morte, mas não queríamos falar de temas e sim de sentimentos”, disse o diretor na entrevista coletiva.

As mudanças e revelações de um episódio a outro são sutis. Muitas das cenas foram filmadas com câmeras bem pequenas, sem que as pessoas percebessem – por exemplo, uma cena em que a protagonista cai de cara no chão numa rua de Glasgow. “Fizemos a cena umas três ou quatro vezes, cada uma foi uma reação diferente”, explicou a atriz. “Algumas pessoas fingiam que não me viam, outras corriam para ajudar e ainda havia os que sacavam o celular e começavam a fotografar. A dicotomia da experiência humana de que o filme fala estava toda lá.”

Apesar da recepção dividida e de alguns problemas na execução do conceito, Under the Skin, pelo menos, tenta ser original. Quando dá certo, inspira. Quando fracassa, cai de cara no chão como Scarlett Johansson naquela rua de Glasgow.

Under the Skin featuring Scarlett Johansson por itsartmag

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