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Tom Petty representava a essência do rock americano

Ao lado da banda The Heartbreakers ou junto a mitos como Dylan e Roy Orbison, trajetória de Petty está entre as páginas mais brilhantes do rock americano

Por Da redação Atualizado em 3 out 2017, 19h48 - Publicado em 3 out 2017, 10h01

As canções épicas e melancólicas, a trilha sonora de viagens eternas pela estrada e a música de entardecer com gosto de vitórias e derrotas transformaram o carismático Tom Petty em um memorável guardião das essências do melhor do rock americano. Petty morreu nesta segunda-feira, aos 66 anos, menos de um dia após sofrer um ataque cardíaco em sua residência, em Malibu, Califórnia.

Ao lado da sua fiel banda de acompanhamento The Heartbreakers ou junto a mitos como Bob Dylan, Roy Orbison e George Harrison no supergrupo The Travelling Wilburys, a trajetória de Petty está entre as páginas mais brilhantes do rock americano, graças a inesquecíveis canções como American Girl, Free Fallin‘, Wildflowers e I Won’t Back Down.

Petty, que recentemente havia realizado três shows no emblemático Hollywood Bowl, em Los Angeles, na turnê do 40º aniversário da carreira, disse em dezembro do ano passado, em uma entrevista para a revista Rolling Stone, que talvez essa fosse a sua última tour. “Mentiria se não dissesse que estou pensando que esta pode ser a última. Tenho uma neta que eu gostaria de ver tanto quanto puder. Não quero passar minha vida na estrada. Esta turnê vai durar quatro meses. Com uma criança pequena, isso é muito tempo.”

Petty nasceu no dia 20 de outubro de 1950, em Gainesville (Flórida), e quando criança, sofreu abusos do pai antes de deixar a escola já adolescente para dedicar-se à música, convencido de que esse era seu destino após se encontrar pessoalmente, ainda menino, com o rei do rock, Elvis Presley. Seus primeiros passos, sem muito sucesso, foram ao lado do grupo Mudcrutch, em que tocavam Mike Campbell e Benmont Tench, que também estariam em The Heartbreakers, a famosa banda que acompanhou Petty durante décadas.

Tom Petty estreou em 1976 com o disco Tom Petty and The Heartbreakers, no qual apresentou seu estilo insubstituível: um rock emocionante e lírico inspirado em The Byrds e Bob Dylan, e que seguia a mesma linha de Bruce Springsteen e Neil Young.

Embora a invasão das guitarras rebeldes do punk e o posterior sucesso dos sons eletrônicos na década de 80 não se encaixassem com a sua identidade, Petty foi um artista de muito sucesso, que não desistiu do rock de aroma clássico e que triunfou com álbuns como Damn the Torpedoes (1979).

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O músico também enfrentou o lado mais turbulento da indústria, ao peitar as gravadoras em várias ocasiões, como em um episódio memorável com a MCA, em que a companhia queria vender seu quarto álbum ao elevado preço de 9,98 dólares. Petty ameaçou entrar com uma ação judicial e chamar o álbum de US$ 8,98, preço habitual dos discos nessa época, mas acabou por nomeá-lo Hard Promises (1981), depois de derrotar a gravadora na queda de braço.

Além de seu trabalho ao lado da banda The Hearbreakers, Petty gravou dois discos-solo, Full Moon Fever (1989) e Wildflowers (1994), que estão entre os mais destacados de sua carreira.

Ele também fez parte do supergrupo do rock que foi The Travelling Wilburys, um sonho breve, mas indelével, para os amantes da música que incluía Bob Dylan, Roy Orbison, George Harrison, Jeff Lynne e Petty. O supergrupo lançou em 1988 The Traveling Wilburys, Vol.1, mas a repentina morte de Orbison, no mesmo ano, arruinou um projeto que lançaria apenas mais um disco, uma gravação intitulada estranhamente The Traveling Wilburys, Vol. 3 (1990).

Tom Petty e The Heartbreakers, cujo último álbum foi Hypnotic Eye (2014)  percorreram de cabo a rabo os Estados Unidos, mas se apresentaram de maneira muito esporádica no exterior.

Petty entrou no Hall da Fama do Rock and Roll, em 2002, e neste ano recebeu o prêmio de Pessoa do Ano da Academia da Gravação dos EUA como parte dos eventos prévios à cerimônia de premiação do Grammy.

Em um comunicado divulgado hoje pela Rolling Stone, Bob Dylan, companheiro de aventuras de Petty em The Traveling Wilburys e que contou com ele e com The Heartbreakers nos anos 1980 como banda de apoio na turnê True Confessions, mostrou sua tristeza pelo falecimento do amigo. “É uma notícia chocante e devastadora”, disse. “Foi um grande artista, cheio de luz, um amigo, e nunca o esquecerei.”

(Com agência EFE)

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