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‘Tabu’, do português Miguel Gomes, mostra amor impossível nas colônias da África

Por Por Julio Olaciregui 14 fev 2012, 12h50

O cineasta português Miguel Gomes apresentou nesta terça-feira, no concurso pelo Urso de Ouro do Festival de Berlim, seu filme “Tabu”, a exótica e melancólica história de um amor adúltero, filmado em Moçambique, que reconstrói com veracidade o início do fim do império de Portugal no continente africano.

Co-produzido por Brasil, França e Alemanha, “Tabu”, em um preto e branco fantástico, brinca com referências cinematográficas, especialmente com filmes do mestre do cinema mudo alemão Friedrich Wilhelm Murnau, para contar em duas partes -o paraíso e sua perda- a história da excêntrica Aurora, interpretada por Ana Moreira, uma bela jovem que herda uma fazenda em Moçambique nos 40-50 anos.

A narrativa começa em Lisboa, quando Aurora, já idosa, perde a razão. Antes de morrer pede a sua empregada de Cabo Verde, chamada Santa, e a sua vizinha Pilar, que procurem um homem chamado Gian Luca Ventura (Henrique Espírito Santo), que foi seu amante quando viveu em Moçambique e era casada com um jovem colono, interpretado pelo ator brasileiro de origem alemã, Ivo Muller.

O velho sedutor ficará encarregado de contar a história deste amor adúltero, que além de tudo isso esconde um terrível segredo de um crime.

O cineasta Miguel Gomes afirmou que seu filme não é uma homenagem ao cinema. “É um filme que representa meu amor pelo cinema, especialmente pelo cinema mudo. Não tenho boa memória, esqueço os filmes que vejo, mas com certeza quando eu tinha 15 anos vi na televisão de Portugal um ciclo de Murnau. Qualquer pessoa que tenha uma alma nunca esquecerá destes filmes”.

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“O colonialismo e o exotismo coexistem. Não foi necessário demonstrar que o colonialismo era imundo, pois em Portugal temos memória histórica suficiente. Talvez este filme tenha começado com uma viagem que fiz a Moçambique e onde ouvi muitas coisas ruins sobre Portugal e tudo o que ocorreu”, explicou Gomes.

“Meu filme quer se aprofundar em temas como a velhice e a juventude, a solidão e a possibilidade do amor, saber se é possível um casamento feliz em meio a um mundo de injustiça, como era a colônia”, adiantou.

Durante todo o filme aparece um pequeno crocodilo, mascote de Aurora, símbolo do mundo “selvagem” que serve de distração aos colonos.

“Existe uma dicotomia entre este paraíso e sua perda, é uma oposição que quero ressaltar. A segunda parte do filme é a história da época colonial”, disse.

“A crítica implícita ao colonialismo, a crítica desta sociedade, não exclui a beleza, a evocação de algo destruído. Em meio a este mundo onde os brancos eram os donos quis pintar as premissas do que viria, o boom demográfico, a guerra e esta história de amor condenada a fracassar”, explicou o diretor.

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