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Rock in Rio, um caso de sucesso em um mercado em crise

Por Carol Nogueira 8 set 2013, 20h46

A quinta edição do Rock in Rio, que começa na próxima sexta-feira e segue até dia 22, no Rio de Janeiro, consolida o festival como o mais bem-sucedido modelo de negócio do mercado de shows nacional. Durante sete dias, um público previsto de 595 000 pessoas vai se dividir entre 160 atrações – e para todos os dias do evento os ingressos esgotaram já em abril. Poderia parecer natural para um festival desse porte. Mas está longe disso, no momento de crise que enfrenta o setor. Calcado em marca forte, memória afetiva arraigada e uma parceria com o poder público, o Rock in Rio pode ser visto hoje como um caso de sucesso – ou case, no jargão empregado por executivos e publicitários.

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Depois de construir altas expectativas com a invasão de artistas estrangeiros em 2010 e 2011, com a perspectiva de crescimento econômico para o Brasil e com o aumento do poder de compra das classes ascendentes, as produtoras tiveram de se conformar com uma realidade muito diferente da imaginada. O baque veio já em 2012, quando surgiram os primeiros sinais de que algo não ia bem no mercado de shows. Os organizadores do SWU, festival realizado nos dois anos anteriores no interior de São Paulo, desistiram do evento. A Time For Fun (T4F) viu ingressos para ninguém menos que Madonna e Lady Gaga encalharem – com direito a liquidações e piadas nas redes sociais – e fechou o ano no vermelho. Seguiu-se uma grande quantidade de demissões em todas as gigantes do entretenimento brasileiro – além da T4F, a XYZ Live (do grupo ABC, do publicitário Nizan Guanaes) e a GEO Eventos (do grupo Globo).

Já este ano, a GEO anunciou que deixaria de produzir o Lollapalooza no Brasil. Um dos festivais mais importantes do mundo, o Lolla deu prejuízo à empresa das Organizações Globo em suas duas primeiras edições nacionais. A terceira edição, em 2014, ficará a cargo da T4F, uma jogada arriscada para a empresa. Nos bastidores, circula a informação de que a saúde da GEO anda tão debilitada que a empresa pode fechar as portas até o ano que vem. Procurada pela reportagem, no entanto, a produtora se recusou a comentar o assunto.

A T4F, que contabilizou prejuízo de 31,2 milhões de reais no fim do ano passado, assumiu em 2013 tanto o Lollapalooza quanto o Planeta Terra – antes organizado pela B.Ferraz, do publicitário Bazinho Ferraz, que a vendeu à ABC de Nizan e hoje comanda a XYZ, da holding – em uma tentativa de recuperar participação no mercado e de ampliar a captação de patrocínio, que, só no segundo trimestre deste ano, caiu 55% em relação ao mesmo período do ano passado. Diversificar a fonte de receitas e diluir os custos fixos também são metas da empresa, frisadas em relatório divulgado a investidores no mês passado – uma prova de que a situação ainda não é de tranquilidade.

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E não deve ser tão cedo. John Nelson Ferreira, diretor da firma de análise de investimentos Nau Securities, diz que o mercado de shows deve sofrer mais ainda com a falta de patrocinadores nos próximos anos, devido à demanda de cotas de patrocínio por eventos maiores como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. “Quanto o mercado de shows conseguirá de retorno no futuro vai depender de quão competitivo o cenário vai se desenhar no Brasil daqui para a frente”, diz.

O cenário dos últimos anos já não é nada favorável. “O país tinha uma previsão de crescimento que não se concretizou. As produtoras tiveram que fazer ajustes, se redimensionar, e devem manter o pé no freio nos próximos meses, devido à alta do dólar”, analisa Roberta Medina, vice-presidente executiva do Rock in Rio. “Todo mundo foi com muita sede ao pote, estavam cobrando valores exagerados nos ingressos, achando que o poder de consumo do brasileiro ia crescer muito.” Roberta é filha do criador do festival, Roberto Medina, dupla que parece rir sozinha neste quadro de crise.

O evento, criado por Roberto Medina em 1985, hoje tem edições em Lisboa (Portugal) e Madri (Espanha), além do Rio de Janeiro, para onde voltou em 2011 após dez anos – e planeja uma em Las Vegas, em 2015. Roberta afirma que uma parceria realizada com o prefeito Eduardo Paes para a construção do Parque dos Atletas, que abriga a Cidade do Rock, foi fundamental para a viabilização do evento. A prefeitura adiantou investimento de 37 milhões para a construção do local, que será utilizado nas Olimpíadas de 2016, de olho no crescimento econômico que o festival traria para a cidade, e acertou – em 2011, o Rock in Rio trouxe 975 milhões de reais para a cidade, e a previsão para este ano é de mais de 1 bilhão de reais, de acordo com a Riotur.

Mas qual é o seu segredo de sucesso do Rock in Rio? Para Roberta, a história do festival e o fato de ele ter sido criado por um publicitário, tendo como intenção principal o lucro, contribuem para que ele faça tanto sucesso. “O Rock in Rio não foi criado por um empresário que queria fazer shows, mas por um publicitário”, diz.

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