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Reformulação dá certo e ‘Zorra Total’ volta mais inteligente

Humorístico das noites de sábado da Globo retorna com Dani Calabresa no elenco e humor mais crítico e ágil

Por Maria Carolina Maia 11 Maio 2015, 13h41

Não foi apenas o “Total” que o Zorra perdeu em sua nova fase na Globo, no ar desde sábado. O humorístico deixou para trás, também, o envelhecido humor de bordões, os longos esquetes e as piadas manjadas para assumir um tom mais ácido e dinâmico, com crítica social, um pouco de absurdo e até uma estocada na pequena RedeTV! – para onde irão os demitidos caso a renovação do programa não dê certo, avisou uma sequência musical logo no primeiro bloco da atração.

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Foi nessa sequência que o programa anunciou o fim dos bordões, mostrando personagens como Valéria (Rodrigo Sant’anna) e Janete (Thalita Carauta) no cemitério. Em um estilo próximo ao Tá no Ar – A TV na TV, de Marcelo Adnet, e ao TV Pirata, referência para praticamente todos os programas de esquetes surgidos desde os anos 1980, a canção do novo Zorra rimou economia com Gloria Maria. “Todo mundo quer saber / Pra onde vai a economia / Se o glúten faz mal / E a idade da Glória Maria”, canta Fabiana Karla, uma das remanescentes do elenco, no início da música.

“Mas, se por acaso, a audiência não bombar, / Valéria e Janete podem ressuscitar / Põe no ar de volta / A receita conhecida / Dos peitões, ‘uma bichona’, ‘Ah, como eu tô bandida'”, continua a letra, citando bordões e o mofado humor de gênero como uma boa forma de autocrítica. A menção à concorrente nanica vem na sequência: “Se não gostar, ‘tamo na rua / Ou na RedeTV!”.

A crítica social e o absurdo estão em cenas como aquela em que uma mulher compra um cachorro-quente e ele vem com tudo o que se pode imaginar – uma receita que transcende em muito a já enorme lista de elementos de hot-dogs de rua, capaz de unir batata-palha e purê em um mesmo pão, por exemplo. E naquela em que uma senhora é assaltada por um ladrão listado em um aplicativo de assaltos para celular – uma forma muito mais segura de ser assaltado, já que você pode escolher meliantes que não pratiquem sequestro-relâmpago, entre outros pontos.

E ainda naquela, com a estreante Dani Calabresa, em que uma velhinha se vinga de atendentes de telemarketing trancafiando instaladores de TV a cabo em um quarto de seu apartamento e obrigando-os a telefonar para ela e passar por todo o processo de discar um número e depois outro e esperar e esperar e esperar para ser atendido.

Dani Calabresa não é a única novidade no elenco, que agora conta também com Debora Lamm, Luís Miranda e George Sauma. Os novos rostos dão uma repaginada, sem dúvida, mas o programa também acerta ao manter veteranos como Paulo Silvino, ao mesmo tempo um talento e um baú da TV.

E, rostos à parte, a mudança principal do Zorra Total não está no time de atores nem no nome do programa, e sim no texto, que aproxima o Zorra do Tá no Ar – A TV na TV. Não é à toa. Há um nome comum aos dois programas: Marcius Melhem, que no humorístico das quintas divide o crédito com Adnet, e aqui toma à frente do roteiro. É esse nome que precisa ser guardado.

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