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Quem são os estilistas africanos que abriram a Semana de Moda de Milão

Apelidados “Fab Five”, eles fazem sua estreia no evento de moda italiano que está sendo realizado quase totalmente de forma virtual

Por Da Redação Atualizado em 24 fev 2021, 17h50 - Publicado em 24 fev 2021, 17h28

Cinco estilistas de origem africana que são estreantes nas passarelas abriram a Semana de Moda de Milão nesta quarta-feira, 24, sob o tema “Somos feitos na Itália”. Os designers, apelidados de Fab Five (Os Cinco Fabulosos), são a primeira safra de criadores alimentada por uma colaboração entre a Câmara Nacional da Moda Italiana e o movimento Black Lives Matter na Moda Italiana.

A estilista ítalo-haitiana Stella Jean, o estilista afro-americano Edward Buchanan e a fundadora da Afro Fashion Week Milano, Michelle Ngonmo, lançaram o movimento no verão passado. A colaboração se expandiu a partir de setembro, quando as coleções dos Fab Five foram exibidas em um showroom. E ganham agora um desfile de cinco looks cada para a Semana de Moda de Milão, que está acontecendo 99% online.

Joy Meribe, nigeriana, começou a trabalhar na Itália como mediadora cultural. Meribe trabalhou com seda da empresa têxtil Taroni, sediada em Como, revisitando alguns de seus designs anteriores para sua marca Modaf Designs.

Joy Meribe, nigeriana, começou a trabalhar na Itália como mediadora cultural -
Joy Meribe, da Nigéria – //Reprodução

Fabiola Manirakiza, do Burundi, foi para a Itália ainda criança e começou a estudar medicina. Manirakiza, cuja marca Frida Kiza já tem seguidores na região de Marche, na Itália, onde mora, e em Roma, não precisou de financiamento externo para sua coleção inspirada na “Primavera” de Botticelli, que ela quer que seja um sinal de esperança após a pandemia.

Karim Daoudi, nascido no Marrocos, cresceu em uma cidade onde se fabricava calçados no norte da Itália e acabou aprendendo o artesanato local. Daoudi trabalhou com o sapateiro veneziano Ballin, que produz calçados para a Bottega Veneta, Chanel e Hermes, para criar sua coleção de sandálias e botas de salto alto.

Karim Daoudi, nascido no Marrocos, cresceu em uma cidade onde se fabricava calçados no norte da Itália e acabou aprendendo o artesanato local -
Karim Daoudi, do Marrocos – Miguel Medina/AFP

Pape Macodou Fall chegou do Senegal aos 22 anos, investindo sua veia criativa como ator, produtor cinematográfico, pintor figurativo e, agora, como designer de roupas recicladas.

Claudia Gisele Ntsama, do Camarões, foi para a Itália com o objetivo já maduro de fazer carreira na moda. Ntsama acrescentou malhas às suas criações distintas em tecidos de cânhamo. Os looks artesanais são peças únicas próprias ao tapete vermelho das celebridades e exigem horas de trabalho manual.

A estilista camaronesa Claudia Gisele Ntsama (ao centro), do coletivo
A estilista camaronesa Claudia Gisele Ntsama (ao centro) – Miguel Medina/AFP

Para suas coleções outono-inverno 2020-21, os designers trabalharam ao lado de fornecedores e receberam orientação de especialistas, todos organizados pelo conselho de moda italiano, em uma parceria que lhes permitiu aperfeiçoar suas criações. Uma equipe multiétnica de estilistas, cabeleireiros e maquiadores esteve presente para o desfile, e os compradores podem visitar a coleção no site da Câmara Nacional da Moda Italiana.

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