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Pixar abraça folclore mexicano em ‘Viva – A Vida É uma Festa’

Confira detalhes e curiosidades sobre os bastidores e as inspirações do novo filme do estúdio de animação

Por Raquel Carneiro, Mabi Barros Atualizado em 5 jan 2018, 16h04 - Publicado em 5 jan 2018, 11h30

Hollywood tem um longo e comprometedor histórico de tentar apresentar uma cultura estrangeira, ou personalidades de fora dos Estados Unidos, sob uma ótica distante, que costuma desagradar aos nativos. O receio de receber críticas do tipo foi grande, mas não impediu o diretor americano Lee Unkrich de levar adiante o projeto Viva – A Vida É uma Festa, novo filme da Pixar ambientado no México e com um elenco totalmente latino, escolha até então inédita para o estúdio. Responsável pelo segundo e terceiro episódio de Toy Story, o cineasta foi tomado pelo encanto da cultura mexicana e decidiu criar a animação que exploraria o tradicional Dia dos Mortos.

Para não errar a mão, ele convidou o colega de Pixar Adrian Molina (O Bom Dinossauro), que tem ascendência mexicana, para ajudar no roteiro. Em seguida, a equipe visitou diversas cidades do país, conviveu com os mexicanos e mergulhou no passado e presente da cultura pop local. Durante a produção, quebraram o protocolo do segredo absoluto e passaram cenas pela aprovação de um time de especialistas na cultura do México. O trabalho de seis anos valeu a pena.

Sensível e visualmente deslumbrante, o filme observa o folclore mexicano de dentro, com personagens locais, enquanto consegue falar de laços ainda mais profundos da cultura latina – que podem ser aplicados em qualquer outro local —, como a importância de reconhecer suas raízes, a valorização da família e a importância de seguir sonhos, mesmo que as circunstâncias sejam desfavoráveis.

  • Confira abaixo detalhes dos bastidores da produção em cartaz no Brasil:

     

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    Do mapa às telas

    Os cenários de Viva são inspirados em lugares reais. Durante a concepção do filme, a equipe de produção percorreu o país em busca dos “detalhes, cheiros e gostos de seus arredores”, como comentou em entrevista à Vanity Fair o diretor. Pátzcuaro, Santa Fe de La Laguna, Tzintzuntzán, Ocotlán de Morelos, Santiago Matatlán, Abasolo, Santa Ana Zegache, Teotitlán del Valle, San Marcos Tlapazola, Tlalixtac e Xochimilco estão entre os locais visitados pela equipe.

    As paisagens das capitais de Oaxaca e Guanajuato, no entanto, ganharam destaque na animação. Elas serviram como “molde” para as cidades de Santa Cecilia, povoado natal da família de Miguel, e a Terra dos Mortos, respectivamente. Outros pontos turísticos do país também tiveram espaço na produção, como as Pirâmides de Teotihuacán, datadas do Império Asteca, e o cemitério de San Andrés de Mixquic, na Cidade do México, onde acontece uma das maiores celebrações do Dia dos Mortos.

     

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    Confira no mapa abaixo o trajeto feito pela equipe do filme pelo México:

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    Pepita, o alebrije

    Os alebrijes são criaturas místicas da cultura popular mexicana, que marcam presença na nova animação da Pixar. Elas foram criadas nos anos 1930 por Pedro Linares Lopez, artista que vivia em La Merced. Reza a lenda que um dia, muito doente, o homem foi visitado pelos animais em seus sonhos. Quando recuperado, Linares começou a produzir esculturas de papel machê dos bichos, que, muito coloridos, se tornaram itens importantes do artesanato popular.

    Alguns acreditam que os alebrijes têm o poder de espantar os pesadelos e maus presságios. Viva, no entanto, deu uma função inédita às criaturas, como guias espirituais do Mundo dos Mortos, a exemplo de Pepita, a leopardo-águia com chifres de búfalo que Mama Imelda tem de “estimação” no outro lado.

    Alebrije mexicano faz parte da cultura de artesanato e do folclore mitológico do país //Getty Images

     

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    O cachorro de rua chique

    Filme: Viva - A Vida É Uma Festa
    Miguel atravessa a Terra dos Mortos ao lado de seu leal cachorro, Dante Disney/Getty Images

    abuelita de Miguel tem uma regra clara quanto aos cachorros de rua: nunca dê nome a eles, senão vão te perseguir para sempre. Contudo, seria ela tão reticente se soubesse o verdadeiro valor de Dante, o parceiro canino de seu neto? A mascote é um cachorro Xoloitzcuintli, considerado pelos astecas um representante do deus Xolotl, patrono do fogo e dos raios, na terra. Apesar da aparência mundana — sem pelos com alguns dentes faltando — o cão é raro e, logo, bastante caro. No Brasil, a raça, também chamada de pelado mexicano, pode custar entre 1.500 a 4.000 reais. Dificilmente seria encontrado vivendo nas ruas, como acontece no filme Viva. 

    O carismático companheiro de Miguel é um dos personagens feitos para agradar a adultos e crianças. Pouco antes da estreia do filme nos Estados Unidos, o cachorro ganhou um “curta” solo, com cerca de dois minutos, chamado O Almoço de Dante. Os animadores da Pixar  deram o máximo de movimento para a língua do animal, bastante característica da raça, fazendo dela quase que um “personagem a parte”. Para isso, eles usaram a mesma técnica de animação empregada no polvo Hank de Procurando Dory.

     

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  • Referências à Pixar

    Mantendo a tradição, a Pixar “reviveu” alguns personagens de suas outras produções em Viva. Woody e Buzz Lightyear, de Toy Story, por exemplo, podem ser vistos como piñatas nas ruas de Santa Cecilia no começo do filme. Repare bem na lateral direita da foto abaixo:

    Reprodução/Divulgação

    Nos primeiros segundos do filme, o caminhão do Pizza Planet — visto pela primeira vez em Toy Story — passa rapidamente por Miguel tocando uma música alta. O veículo apareceu em todos os filmes da Pixar até o momento.

    //Reprodução

    O peixe-palhaço Nemo também faz uma participação mais que especial, camuflado entre os alebrijes de Miguel.

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