Pior da semana: O papelão da Vila Isabel com seu baluarte Martinho da Vila
Agremiação da Zona Norte do Rio expôs Martinho da Vila e desrespeitou compositores
Embora a tradicional noite de desfiles do Carnaval 2027 ainda esteja longe de chegar, os bastidores para a maior festa do país estão mais quentes do que nunca, principalmente nos lados do Boulevard 28 de Setembro, na zona norte do Rio. Conforme acompanhou a coluna GENTE ao longo da semana, a tradicional Unidos de Vila Isabel se prestou a um papelão durante a escolha do samba que irá levar à avenida, desrespeitando um ícone da agremiação ao longo de todo esse processo.
Tudo começou na madrugada de 12 de setembro, quando a Vila Isabel anunciou que o samba-enredo de seu desfile seria o resultado de duas composições diferentes: o samba 5, assinado por Paulo César Feital, Gustavinho Oliveira, Thales Nunes, Danilo Garcia, Júlio Alves, Marcelo Martins, Gabriel Simões e Rafael Tinguinha, e o samba 13, de Evandro Bocão, André Diniz e o célebre Martinho da Vila.
A junção de diferentes composições passa longe de ser algo novo no mundo do Carnaval, mas há um porém que parece não ter sido levado em conta pelos responsáveis da escolha: Martinho tem uma resistência histórica à fusão de sambas, chegando a abrir mão da disputa em 2006 e 2008 por conta disso. Ainda assim, se decidiu pela junção, alegando questões técnicas de melodia e letra.
Não deu outra. Assim que soube que seu samba seria “recortado” e unido ao rival, Martinho se irritou com a decisão. E com razão. O cantor chegou ameaçar que iria retirar seu nome da lista de compositores caso a medida fosse levada adiante naquela junção.
“Discordo e já pedi para retirar meu nome”, disse Martinho com exclusividade à coluna, em clara insatisfação com o desrespeito gerado pela atual gestão da Vila. A crise só foi solucionada depois que o Capitão Guimarães tomou a inédita decisão de voltar atrás, consagrando somente o samba do presidente de honra da azul e branco como vencedor da disputa.
A reviravolta inédita gerou, imediatamente, uma reação negativa em cadeia. Parte dos compositores escanteados pela Vila Isabel se manifestou publicamente sobre o ocorrido, anunciando sua saída da escola e utilizando termos como “covardia” e “humilhação” para definir o episódio. “A gente foi para a quadra, apresentou por quatro vezes, fomos anunciados como campeões e agora a escola diz que não somos campeões”, disse Gabriel Simões à coluna.
O cenário expôs o próprio Martinho, que só havia demonstrado insatisfação com a decisão da escola, às críticas. Embora o sambista tenha deixado claro que só gostaria de ter sido consultado com devida antecedência e com o respeito que ele mesmo tinha na escola, muitos membros da comunidade reclamaram da postura, resultado da falta de gestão da atual administração da Vila.
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