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Peter Jackson defende a trilogia ‘O Hobbit’

Diretor rebate críticas que o acusam de visar apenas lucro ao dividir a fábula de J.R.R. Tolkien em três filmes

Por Da Redação 6 dez 2012, 15h16

O Hobbit pode ser um livro curto sobre heróis pequenos, mas Peter Jackson afirmou esta semana que acertou em alongar a história infanto-juvenil para poder produzir nada menos do que três filmes épicos, o que tem gerado críticas. Mas Jackson disse que transformar o livro original na versão filmada da fantástica Terra-Média criada por J.R.R. Tolkien exigiu uma abordagem mais lenta. O plano inicial era para dois filmes, mas logo se estendeu para três. O primeiro, O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, estreia no dia 14 nos cinemas brasileiros.

Na avaliação de Jackson, o texto de Tolkien deixa o leitor frequentemente sem fôlego, pois muitos grandes eventos são cobertos em duas ou três páginas. “Uma vez que você começa a desenvolver as cenas, quer fazer um desenvolvimento maior dos personagens e o filme cresce.”

Para ampliar a história, os diretores também mergulharam nos apêndices de Tolkien de O Retorno do Rei, o último livro da trilogia O Senhor dos Anéis que Jackson adaptou anteriormente.

O Hobbit, apresentado para jornalistas em Nova York na terça-feira, mostra o pequeno hobbit Bilbo Bolseiro, Gandalf e 13 anões embarcando em uma jornada rodeada por uma série de forças malignas.

O enredo é o prelúdio de O Senhor dos Anéis e introduz os principais personagens e tramas que reaparecem no restante da saga. O anel de ouro amaldiçoado também faz sua primeira aparição.

A roteirista e co-produtora Philippa Boyens afirmou que o percurso diferente escolhido para os filmes em comparação com os livros refletiu a dinâmica do trabalho com os atores. “Grandes atores vêm para você pelo material, e se você dá a eles um material muito leve, você não vai pegá-los. Quisemos escrever para esses grandes atores”, afirmou.

O britânico Ian McKellen, que após atuar como Gandalf em O Senhor dos Anéis volta ao papel em O Hobbit, rebateu a tese de que os produtores queiram gerar mais lucros com os fãs de Tolkien ao dividir O Hobbit em três filmes. “Qualquer um que pense que Peter Jackson se submeteria às forças do mercado, em vez dos imperativos artísticos, não o conhece, não conhece o corpo de seu trabalho.”

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Antes da première nos Estados Unidos no dia 14 de dezembro, os críticos se dividem. A técnica mágica de Jackson, utilizando 3D e 48 quadros por segundo, ao invés dos 24 quadros normais, gerou exclamações de admiração, assim como críticas por um suposto exagero. “No jeito de contar academicamente meticuloso de Jackson, no entanto, é como se O Mágico de Oz tivesse levado quase uma hora para sair do Kansas”, afirmou o site The Hollywood Reporter em uma crítica.

“Há elementos neste novo filme que são tão espetaculares quanto os da trilogia O Senhor dos Anéis, mas também há muitas coisas entediantes”.

Já a crítica da revista americana Variety mirou nos detalhes avassaladores proporcionados pelos 48 quadros por segundo. “Tudo assume uma qualidade exagerada e artificial na qual a falsidade dos cenários e figurinos se torna óbvia, enquanto as áreas bem iluminadas sangram em seus arredores, como se você assistisse a um filme caseiro de alta qualidade.”

Há cenas de batalhas incríveis com hordas de Goblins, cavernas fantásticas e escapadas da morte por um triz ao estilo de James Bond protagonizadas por Bilbo Bolseiro, vivido por Martin Freeman, e de seus amigos anões.

Assim como na trilogia O Senhor dos Anéis, os cenários naturais da Nova Zelândia são de tirar o fôlego.

Mas com tantos seres estranhos atacando uns aos outros com espadas, e com tantas armas, rochas e corpos voando em 3D em direção ao público, as poucas cenas íntimas focando em apenas uma dupla de atores chegam como um alívio.

Quando a ação é cortada subitamente da última grande luta com espadas para uma caverna silenciosa habitada pelo Gollum de Andy Serkis, jornalistas na projeção realizada na terça-feira deram alguns raros aplausos.

(Com agência France-Presse)

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