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‘Os Dias Eram assim’: supersérie da Globo tem clichês de novela

Trama estreou nesta segunda-feira com texto didático, vilões bem demarcados e casal de mocinhos – além de nudez coberta de Sophie Charlotte

Por Maria Carolina Maia Atualizado em 18 abr 2017, 13h46 - Publicado em 18 abr 2017, 09h41

A Globo pode ter embalado Os Dias Eram Assim, trama que estreou na noite desta segunda-feira depois de A Força do Querer, com o rótulo-exportação de supersérie, mas o primeiro capítulo da trama, apesar da ótima trilha sonora, da bela produção e da afinada direção artística de Carlos Araújo, apresentou um punhado de clichês típicos de novela. Nesse sentido, até a nudez bem comportada de Sophie Charlotte – que tirou a roupa, mas teve os seios cobertos pelos cabelos – lembrou a cena de um folhetim das nove ou das sete da emissora.

Na história de Angela Chaves e Alessandra Poggi, que se passará entre os anos 1970 e 80, Sophie é Alice, a filha rebelde de uma família rica e conservadora. Seu pai, Arnaldo (Antonio Calloni) é dono de uma construtora que apoia a ditadura militar. Logo no começo, Alice aparece com um vestido curtinho, que choca a família e os convidados de um rega-bofe que acontece na sua casa. Até Vitor (Daniel de Oliveira, marido de Sophie), namorado da menina mais interessado em dar o golpe do baú, a repreende. Ao ouvir a bronca do boy, em seu quarto, Alice não pensa duas vezes e saca o vestido hippie, o que deixa Vitor horrorizado. “Mas a gente não vai se casar?”, questiona a garota.

Sophie Charlotte e Daniel de Oliveira em ‘Os Dias Eram Assim’, da Globo Raphael Dias/ Gshow/TV Globo
Reprodução/TV Globo

Tolhida pelos pais, Alice foge de casa pela janela do quarto — e pelo andaime do prédio. É aí que cruza pela primeira vez com Renato (Renato Góes, o Santo jovem de Velho Chico). Clique: é amor à primeira vista. A sequência não poderia ser mais lugar-comum: a mocinha se apaixona pelo médico honesto que, já no primeiro episódio da super-série, relembra o juramento ético que fez de proteger vidas, mesmo diante de Arnaldo, que envereda pela linha do “Sabe com quem você está falando?” e tenta transferir de hospital, para um mais caro e famoso, uma conhecida que quase morreu em trabalho de parto.

Arnaldo é mau, muito mau, não há dúvida. Outro ponto que incomoda no personagem é que ele lembra outro vivido recentemente por Calloni, o político sujo de Justiça, esta sim uma série no sentido que a Globo costumava dar a esse tipo de produção.

Maus também são Vitor e sua mãe, vivida por Susana Vieira. Quando Alice choca a família com sua performance hippie, ela recomenda ao filho, em um texto mastigadinho como para não deixar dúvidas de quem é quem nessa trama maniqueísta: “Você não quer comandar essa construtora? Comande primeiro a sua mulher”.

Os Dias Eram Assim pode ser uma supersérie, nome adotado pela Globo para vendê-la com mais facilidade ao mercado exterior. Mas, ao menos nesse primeiro capítulo, teve tudo de um novelão.

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