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‘O caos nos reconduz às emoções humanas mais básicas’

Leia a continuação da entrevista com David Alpert, produtor das séries 'The Walking Dead' e 'Fear the Walking Dead', que estreia em todo mundo neste domingo

Por Mariane Morisawa, de Los Angeles 23 ago 2015, 16h54

>>>Clique aqui para ler a primeira parte da entrevista

A premissa do vírus é a mesma de The Walking Dead, de que há uma epidemia? Sim, exatamente. O mundo é o mesmo, as regras são iguais.

Mas você não fala exatamente quais são as causas dessa epidemia? As pessoas têm suas teorias, mas para nós não é tão importante. Para mim, é mais interessante saber como Travis e Madison lidam com o fato de terem de cuidar de um viciado, Nick, em pleno apocalipse. Essas são as questões em que focamos, porque o apocalipse se espalha rapidamente, seu mundo fica mais estreito. Você está menos preocupado com fatores externos. Sua visão de mundo torna-se a sua cidade, a sua rua, a sua casa, o seu abrigo. É voltar às emoções humanas mais básicas.

É possível que, um dia, os personagens de Fear the Walking Dead encontrem os de The Walking Dead? É. As pessoas saíram da Costa Leste no século XIX e foram para a Costa Oeste, certo? Então, é possível, mas não acho que vai acontecer logo.

Uma das diferenças aqui é que há vários adolescentes entre os personagens principais. Foi intencional? É interessante, muita gente nos perguntou se quisemos ambientar a série em Los Angeles para alcançar um público latino. Adoraria que os roteiristas pensassem no marketing quando estão criando, mas não é assim que acontece. Nós estamos pensando do ponto de vista criativo. Vimos Carl crescer em The Walking Dead, então não queríamos repetir a mesma coisa. Carl não conhece nada, praticamente, a não ser o apocalipse. No caso de Nick, ele está começando a formar suas opiniões e a ter seu mundo, mas agora tudo vai mudar. Estamos procurando ângulos diferentes, não estamos buscando uma parcela diferente de público.

Los Angeles é uma personagem na série. Foi algo que vocês quiseram explorar nos roteiros? Cem por cento. É uma tremenda chance poder rodar em Los Angeles. Sempre quis filmar uma cena no rio Los Angeles, foi um sonho poder fazer isso no primeiro episódio. Quando era pequeno, via os filmes e não me tocava de que era um rio ali, porque sou da Costa Leste e lá nossos rios têm água (o Rio Los Angeles, em sua maior parte, é canalizado e corre apenas um fio estreito de água no meio do concreto). Rodar uma cena nessa mesma locação de O Exterminador do Futuro foi o máximo. Los Angeles é uma cidade de renascimento, oportunidade e reinvenção. Dar a todos os nossos personagens a chance de renascimento, redenção e reinvenção foi uma inspiração-chave para nós.

Mas chegou a pensar em outra cidade? Porque Los Angeles pode ser meio sem graça, não tem um marco, não vamos ver zumbis escalando o Empire State Building, por exemplo. Nós sempre dissemos que o sucesso de Walking Dead é porque se trata de um filme de zumbis que nunca termina, certo? Em Los Angeles, a comida acabaria em 72 horas. Los Angeles fica num deserto. A Califórnia é bem fértil, mas é tudo muito irrigado. O que acontece quando a irrigação para?

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E há uma tremenda seca agora. Exato. É um mundo interessante, cheio de conflito. Mal posso esperar para pensar em todas as situações horríveis em que podemos colocar Nick. O que aconteceria à sua pele clarinha se ficasse em um deserto por dias a fio?

Vocês souberam que iam ter uma segunda temporada quando estavam rodando a primeira. De que forma isso ajuda? Normalmente, em uma série nova, você não sabe se vai ter a segunda temporada. Então, fica difícil decidir o que deixar pendente para uma possível segunda temporada. E a nossa primeira tinha apenas seis episódios, que é um número estranho, são apenas umas três horas de história. Foi um grande alívio saber da segunda temporada.

Pode falar sobre o envolvimento de Robert Kirkman e de outros criadores da série original, como Gale Anne Hurd e Greg Nicotero? Sim, eu, Greg, Gale e Robert estamos em ambos os seriados. Não existe história em quadrinhos para Fear the Walking Dead, então Robert e Gale criaram o argumento juntos, trabalharam no roteiro e escreveram a estrutura das duas primeiras temporadas. Foi excelente ter Robert participando, porque ele é o pai do apocalipse (risos). Mas também trouxemos o Dave Erickson, é bom ter alguém novo.

Mas eles vão ao set? É muito bom poder dizer que estou aqui agora porque eu sei que eles estão lá. É uma boa parceria.

O que vemos na primeira temporada de Fear the Walking Dead acontece antes de Rick Grimes acordar em The Walking Dead. Então, a segunda temporada vai ocorrer paralelamente aos eventos na Geórgia, ou ainda vamos estar esperando que ele acorde? Não, a primeira temporada acontece durante o coma de Rick. Então a segunda vai ser meio paralela, não episódio a episódio.

Sabendo o que sabemos de Walking Dead, quer dizer que não haverá surpresas? Haverá surpresas em relação aos personagens, mas não em relação ao mundo. As regras são as mesmas.

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