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Filme do brasileiro Karim Aïnouz é recebido com entusiasmo em Cannes

‘A Vida Invisível de Eurídice Gusmão’ mostra duas irmãs dos anos 1950 tentando realizar seus sonhos nos anos 1950

Por Mariane Morisawa, de Cannes Atualizado em 20 Maio 2019, 21h08 - Publicado em 20 Maio 2019, 19h53

Karim Aïnouz é um cineasta de rara sensibilidade para personagens femininas. Ele mostra mais uma vez seu talento no melodrama tropical A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, passado no Rio de Janeiro dos anos 1950. O filme foi recebido com entusiasmo na sessão de gala na noite desta segunda-feira, 20, dentro da seção Um Certo Olhar do Festival de Cannes.

Baseado em livro de Martha Batalha, o longa-metragem tem como personagens principais as irmãs Guida (Julia Stockler) e Eurídice (Carol Duarte). A primeira, autoconfiante, desinibida, sonha com aventuras amorosas. A insegura Eurídice deseja estudar piano num conservatório em Viena. Mas elas vivem numa sociedade machista e patriarcal que vai colocar muitos empecilhos em sua caminhada em busca de seus sonhos e desejos.

Guida apaixona-se por um marinheiro grego e parte com ele para Atenas, crente de que volta casada. Mas, meses depois, está de volta, grávida. Seu pai, o padeiro português Manuel (Antônio Fonseca), a expulsa de casa, sem causar protestos veementes da mãe, a submissa Ana (Flavia Gusmão). Para piorar, Manuel mente que Eurídice está em Viena – na verdade, ela está casada com Antenor (Gregório Duvivier). Assim, as duas irmãs ficam separadas, uma achando que a outra está na Europa.

  • Uma das coisas mais difíceis no cinema é injetar um filme de vida. E Aïnouz consegue. Guida e Eurídice têm vida, mesmo quando sofrem revezes e precisam se adaptar – e muitas vezes se conformar. As duas contam com o apoio de outras mulheres para navegar o mundo machista. Com boas atuações da dupla central, o filme ainda tem uma aparição de Fernanda Montenegro que não vai deixar ninguém de olhos secos.

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