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Nos 80 anos de Bob Dylan, 8 músicas do cantor que traduzem os EUA

De 'Blowin' in the Wind' a 'Murder Most Foul', o prêmio Nobel de literatura cantou sobre racismo, direitos civis e guerras, num afiado resumo do século XX

Por Felipe Branco Cruz Atualizado em 24 Maio 2021, 08h40 - Publicado em 24 Maio 2021, 08h00

O cantor e compositor americano Bob Dylan completa 80 anos nesta segunda-feira, 24, como um dos artistas vivos mais importantes e relevantes dos Estados Unidos. Vencedor do prêmio Nobel de literatura em 2016 “por ter criado uma nova expressão poética dentro da grande tradição americana da canção”, ele traduziu em 60 anos de carreira o espírito do país, com letras que falam sobre as angústias e inseguranças da população, mas também sobre racismo, direitos civis e guerras.

Suas composições mais incisivas são dos anos 1960, mas até nos anos recentes ele continuou tendo como principal inspiração a sociedade americana. Em seu disco Rough and Rowdy Ways, lançado em 2020, a faixa Murder Most Foul, de mais de 16 minutos de duração, é um belo exemplo de como sua verve continua afiadíssima. Para celebrar a data, selecionamos oito composições de Dylan sobre os mais variados temas sociais. 

Blowin’ in the Wind (1963)

Uma das músicas mais conhecidas de Dylan, Blowin’ in the Wind não foi composta para ser um canção de protesto, mas se tornou um hino dos direitos civis americanos e contra a Guerra do Vietnã. Seus versos abrangentes, no entanto, também serviriam de inspiração para a superação de qualquer tipo de obstáculo. O primeiro verso da primeira estrofe é lapidar: “Quantas estradas um homem deve percorrer, antes de ser chamado de homem”. E o cantor conclui em tom pacifista: “Quantas vezes as balas de canhão devem voar, antes de serem banidas para sempre.”

Masters of War (1963)

Nesta música, Dylan foi direto ao ponto. Com letras incisivas, ele canta contra a escalada armamentista em decorrência da Guerra Fria. Mas a mensagem poderia muito bem servir para qualquer conflito que surgiu depois. Na letra, ele diz: “Você aperta os gatilhos / Para outros atearem fogo / Então você senta e observa / quando a contagem de mortes aumenta.”

Oxford Town (1963)

Nos anos 1960, a tensão racial nos Estados Unidos estava próxima do ponto de ruptura. Em Oxford, no Mississippi, James Meredith se tornou o primeiro estudante negro a entrar na Universidade do Mississippi, o que gerou vários protestos de brancos racistas. Na música, Dylan relata: “Ele foi para Oxford / Armas e clubes o seguiram / Tudo porque seu rosto era moreno.”

A Hard Rain’s a-Gonna Fall (1963)

Escrita no calor da crise dos mísseis entre Estados Unidos e Cuba, em outubro do ano anterior, a faixa se impôs como uma advertência sobre a iminência de uma guerra nuclear. Na letra, Dylan canta: “Eu vi armas e espadas afiadas nas mãos de crianças / E é difícil, e é difícil / É difícil, é difícil / É como uma chuva forte que cai no outono.”

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The Lonesome Death of Hattie Carroll (1964)

A tensa música narra a morte de Hattie Carroll, uma garçonete negra, aos 51 anos. Ela foi assassinada por um fazendeiro de tabaco de Maryland, que acabou condenado a apenas seis meses de prisão. A incisiva letra emula a narrativa factual de uma notícia de jornal, e diz: “William Zanzinger matou a pobre Hattie Carroll / Com uma bengala que girou em seu dedo anelar de diamante.”

The Times They Are a-Changin (1964)

Ao lado de Blowin’ in the Wind e Like a Rolling Stone, The Times They Are a-Changin é uma das músicas mais conhecidas da carreira de Dylan. Nela, ele fala sobre o movimento pelos direitos civis que tomou conta dos Estados Unidos nos anos 1960. A poderosa letra tem versos certeiros como: “Há uma batalha lá fora sendo travada / Logo vai sacudir suas janelas e suas paredes / Porque os tempos estão mudando”.  

Hurricane (1976)

Em mais uma canção sobre racismo, Bob Dylan dessa vez critica o sistema judiciário americano na injusta prisão do boxeador negro Rubin “Hurricane” Carter. Na letra, não há espaço para dupla interpretação. “Todas as cartas de Rubin foram marcadas com antecedência / O julgamento foi um circo de porcos em que ele nunca teve chance.”

Murder Most Foul (2020)

Os quase 17 minutos da música funcionam quase como um poema musicado. A letra fala do assassinato do ex-presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, em 1963. Sem refrão, a faixa não repete nenhum verso e traz referências a figuras centrais da cultura dos anos 1960 e 1970.  Dylan canta: “Foi um dia sombrio em Dallas, em novembro de 63 / Um dia que vai viver na infâmia / O Presidente Kennedy estava com tudo / Um bom dia para viver e um bom dia para morrer.”

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