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Nicholas Sparks causa histeria coletiva na Bienal do Rio

Escritor é autor de best-sellers adaptados para o cinema como 'Diário de uma Paixão', 'Um Amor para Recordar' e 'Querido John'

Por Roni Filgueiras, do Rio de Janeiro - 31 ago 2013, 19h52

Às 10h em ponto, gritos ecoaram no Auditório Rachel de Queiroz, no Riocentro, onde ainda de madrugada se formava uma fila à entrada da XVI Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, no centro de exposição localizado na zona oeste da capital carioca O motivo da verdadeira histeria coletiva, em que adolescentes e jovens desmaiavam e saíam aos prantos, respondia pelo nome de Nicholas Sparks. O escritor americano, loiro e sempre sorridente, de 47 anos, autor de 17 best-sellers (Diário de uma Paixão, Um Amor para Recordar), olhava a catarse coletiva atônito: “Fico muito emocionado. É encantadora essa recepção das fãs. Acho que minha obra é tão popular no Brasil também por conta dos filmes.”

As 300 senhas distribuídas para o auditório em que o autor iria bater-papo com a imprensa e o público, ao meio-dia, se esgotaram rapidamente. A organização do evento decidiu cancelar o encontro para não frustrar a multidão que ficaria de fora. Uma das funcionárias da produtora do evento foi atacada a dentadas numa tentativa frustrada de ter seu crachá roubado por uma fã desesperada. As marcas no cotovelo esquerdo e a porta da estrutura do auditório que foi ao chão não deixavam dúvidas de que elas estavam dispostas a tudo para chegar perto do ídolo. Sparks se dispôs a distribuir autógrafos. Com 90 milhões de livros vendidos, o escritor chegou ao Brasil na última segunda-feira para lançar seu décimo oitavo título, Uma Longa Jornada (Editora Arqueiro), ainda inédito nos EUA. Ele repetiria no Rio o ritual de posar para fotos e autografar seus livros, que cumpriu com paciência monástica em Curitiba, na terça-feira, e em São Paulo, na quarta-feira.

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A comoção que levou milhares de jovens, a maioria do sexo feminino, a formar uma fila que dava volta no pavilhão, se repetiu nas outras duas cidades. Para driblar as fãs e conseguir alcançar a Livraria Curitiba, o autor de Querido John teve de entrar no Shopping Paladium pela saída de emergência localizada no teto do prédio. Na Livraria Saraiva, no Shopping Center Norte, em São Paulo, ele distribuiu 1.200 autógrafos. Letícia Hollanda Costa, de 18 anos, estudante de engenharia civil, foi uma das felizardas que tirou foto ao lado do ídolo. “O que mais gosto na literatura dele é a mensagem que ele passa em todos os livros, a da esperança, superação”, disse. Bruna Cândido, auxiliar administrativa de um posto de saúde, acordou às 3h para chegar a tempo. Na mochila da moradora de Mesquita, Baixada Fluminense, nove livros do autor, que a fez chorar aos borbotões depois de autografar um deles: “Quebrei a unha, mas valeu a pena vir. Não vejo a hora de colocar esse momento no meu blog.”

Com menos comoção, mas com a mesma vibração e culto, os escritores Emily Giffin, autora de Laços Inseparáveis (Editora Novo Conceito) e Matthew Quick, criador do elogiado O Lado Bom da Vida (Editora Intrinseca) arrebanharam suas torcidas organizadas, compostas majoritariamente de jovens leitores. Autores de romances edificantes, eles distribuíram sorrisos e acenos. Quick, juntamente com os escritores brasileiros Flávio Carneiro e Socorro Acioli, discutiu no Café Literário o tema “nova definições de leitor: o jovem, o jovem adulto e o adulto.” O processo de criação literária de Quick atraiu uma geração acostumada a consumir produtos da cultura de massa em diversos meios: na internet, em livros e no cinema. “Quando escrevi O Lado Bom da Vida já tinha viajado o mundo, ido morar com meus sogros, estava deprimido e me sentia sozinho. Escrevi porque queria me salvar. E a experiência como professor me ajudou a entender o jovem”, afirmou o escritor.

O cinema, aliás, é uma das janelas comuns aos três autores americanos, algumas das estrelas internacionais convidadas para esta edição. Suas obras foram adaptadas para a tela grande e ajudaram a catapultar o sucesso das matrizes literárias. O lado bom da vida rendeu o Oscar à atriz Jennifer Lawrence. Nada mau para quem largou a profissão de professor para ganhar a vida falando dos desafios de virar adulto.

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