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Na Rio+20, Edward Norton assume o papel de defensor do meio ambiente

Ator divulga 'O Legado Bourne' no Brasil e participa de debates sobre sustentabilidade, economia verde e biodiversidade na conferência da ONU

Por Carlos Helí de Almeida - 20 jun 2012, 11h12

“A situação do Brasil é muita representativa dentro do desafio que o mundo enfrenta em relação ao equilíbrio entre crescimento (econômico) e sustentabilidade ambiental. É um país com incríveis recursos naturais e imensa diversidade biológica, mas também sofre com as pressões de sua grande e crescente população e do desenvolvimento industrial”

Conhecido intérprete de personagens dotados de personalidades conflitantes, Edward Norton exibe no Rio seu papel menos midiático, o de Embaixador da Boa Vontade para a Biodiversidade da ONU. Ao longo dos próximos dias, o ator americano, que há 12 anos usa sua popularidade para advogar em favor de causas humanitárias e ambientais, participa de diversos debates e painéis da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que termina nesta sexta-feira, dia 22.

“A situação do Brasil é muita representativa dentro do desafio que o mundo enfrenta em relação ao equilíbrio entre crescimento (econômico) e sustentabilidade ambiental. É um país com incríveis recursos naturais e imensa diversidade biológica, mas também sofre com as pressões de sua grande e crescente população e do desenvolvimento industrial”, disse o protagonista de filmes como O Clube da Luta (1999) e O Incrível Hulk (2008) no fim da tarde desta terça-feira, 19, durante uma pausa de sua agenda de compromissos como representante da ONU, em um hotel da zona sul do Rio.

Norton vem de uma família com longo histórico de envolvimento em assuntos relacionados a desenvolvimento sustentável. O pai, Edward Norton Sr., advogado, trabalha para a National Trust for Historic Preservation, entidade voltada para a preservação de sítios e comunidades de relevância histórica para os Estados Unidos. Seus avós maternos chegaram a fundar uma organização que levanta recursos para dar um teto a famílias carentes.

O próprio ator dedica parte de seu tempo longe das telas à promoção de causas sociais e ambientais, como a preservação das tribos masai, na África, a luta contra as péssimas condições de trabalho em minas de carvão do mundo inteiro, e o socorro às vítimas do terremoto no Haiti, além de apoiar diversas outras ONGs e plataformas com o objetivo de arrecadar recursos para a caridade. Diz que tem o privilégio de morar em Nova York, cidade que lhe permite exercitar, no dia a dia, sua faceta de ambientalista responsável.

“É uma cidade que cobre razoavelmente bem as necessidades básicas ambientais, como coleta e reciclagem de lixo, por exemplo, o que torna o nosso trabalho mais fácil”, comenta o ator de 42 anos. “Tento usar o serviço de transporte de companhias que têm carros com baixa emissão de gás carbônico, busco por alimentos orgânicos, cultivados em fazendas locais, e coisas assim. Tenho sorte de viver em uma cidade que me dá acesso a muitos produtos e serviços ecologicamente corretos. É muito mais fácil manter esse compromisso com o meio ambiente quando se vive em Nova York”, ri.

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A agenda de Norton na Rio+20 prevê palestras em eventos como o Natural Capital Accounting: Why Do We Need It And How Can We Implement It?, sobre investimentos verdes, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente, e no Avoid Deforestation Partners, sobre iniciativas públicas e privadas para o desenvolvimento de atividades agrícolas sustentáveis. Além disso, entregará, ao lado da atriz brasileira Camila Pitanga, o prêmio Equator Iniciative, oferecido pelo programa de desenvolvimento da ONU para comunidades indígenas que trabalham na preservação de seu ambiente.

O ator também participará, como embaixador da ONU, do comitê sobre Economias de Desenvolvimento Sustentável, ao lado de Nicolas Stern, membro do Parlamento inglês e coordenador do Centro Grantham na London School of Economics, o economista indiano Pavan Sukhdey e americano Jeffrey Sachs, diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia, em Nova York. “Acho que minha namorada (a produtora Shauna Robertson) terá mais chance de conhecer o Rio do que eu nesta viagem”, brincou Norton, que pratica surfe, mergulho e um ou outro esporte radical.

Cinco anos atrás, quando esteve na cidade pela primeira vez, para rodar sequências de O Incrível Hulk, Norton passou a maior parte do tempo entre as locações cariocas do filme e o seu quarto de hotel. “Lembro de alguns lugares do bairro de Santa Teresa, onde filmamos várias cenas, e da praia em frente ao hotel, mas foram semanas de trabalho intenso, cercado por um sigilo muito grande”, lembra Norton, que interpreta o cientista Bruce Banner no segundo longa-metragem da franquia do super-herói verde, dirigido pelo francês Louis Leterrier.

Divulgação – No pouco tempo livre de seus compromissos como embaixador da ONU no Rio, Norton aproveitou para promover O Legado Bourne, seu novo filme, que estreia no Brasil dia 24 de agosto. Orientado pelo estúdio, o ator não pôde, no entanto, se aprofundar sobre a trama dirigida por Tony Gilroy (Duplicidade), que dá sequência à franquia inspirada nos romances de espionagem de Robert Ludlum, que até a terceira aventura teve Matt Damon como protagonista.

“Tony enviou um memorando a todos os envolvidos na produção sobre o que poderíamos falar sobre o filme nesse momento. O que posso dizer é que os personagens principais são peças diferentes do mesmo programa de espionagem do governo. Ele quer que a gente mantenha o mistério sobre quem faz o que na trama”, avisou Norton. “Mas, como Tony é também o roteirista do filme, posso dizer que, em termos de texto, todos os personagens são meio ambivalentes, ninguém é vilão ou herói, a abordagem dele é realista, os personagens estão, de alguma forma, comprometidos com a postura da agência para a qual trabalham”.

No filme, o quarto da série, Jeremy Renner (de Guerra ao Terror) interpreta Aaron Cross, um outro superagente de uma organização militar secreta da CIA que é implacavelmente perseguido por seus superiores. A ação acontece paralelamente à de O Ultimato Bourne, lançado em 2007. Aqui, Rachel Weisz (O Jardineiro Fiel) vive uma cientista que escapa do processo de eliminação de testemunhas de uma operação que saiu do controle da agência, e Norton encarna Byer, o diretor da organização.

O Legado Bourne é como uma nova pétala de uma flor que continua se abrindo e se expandindo”, entende o ator. “Não é uma nova fase da franquia, um recomeço, mas uma extensão do universo criado por Ludlum e, no cinema, por Tony”.

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