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Muito mais Tony Stark e menos Homem de Ferro

Na conclusão da trilogia de filmes do super-herói bilionário e egocêntrico, o lado humano do personagem prevalece e salva o dia

Por Raquel Carneiro 26 abr 2013, 08h01

Tony Stark tem um coração. Um pouco danificado e ofuscado pela mente racional e brilhante de seu dono, mas ele está ali, protegido e calado dentro de seu abrigo duro e luminoso. E é este lado humano, e até mesmo piegas, que o diretor Shane Black decidiu extrair do protagonista, vivido por Robert Downey Jr. O argumento principal de Homem de Ferro 3, que concluiu a trilogia iniciada com Homem de Ferro (2008), seguida por Homem de Ferro 2 (2010), humaniza seu herói, sem deixar de lado as conhecidas sequências de ação e o humor afiado.

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Nesta terceira parte, Black assume a direção e deixa Jon Favreau – diretor e ator dos dois longas anteriores – apenas com uma participação especial com seu personagem Happy, amigo e segurança de Stark. A mudança de liderança entre os filmes é perceptível, mas não atrapalha o andamento do contexto geral. Se Favreau fez do Homem de Ferro o bilionário irônico e petulante que o público ama, Black o tirou de dentro da armadura e mostrou as fraquezas emocionais e físicas do personagem.

A história continua não do ponto em que parou o segundo filme, mas sim da conclusão do sucesso de bilheteria Os Vingadores. A inserção do longa no meio da trilogia alterou o curso da história, já que antes Tony Stark não teve que lidar com ameaças alienígenas, deuses mitológicos ou “buracos de minhoca” abertos no céu de Nova York. Suas preocupações eram mais mundanas como o governo americano ou inimigos no Afeganistão. Nada que não pudesse ser resolvido com a combinação de seu poder econômico, uma indestrutível armadura de ferro e seu QI de gênio.

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Sendo assim, depois de lutar ao lado de Thor e se despir de sua forte vaidade ao se oferecer como mártir para salvar o mundo e, claro, sua amada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), Em Homem de Ferro 3, Tony Stark entra em uma séria crise de estresse, e luta com problemas cotidianos, como insônia e ataques de pânico.

Não bastassem seus dilemas pessoais, surge Mandarin (Ben Kingsley), um novo e temido terrorista, um dos mais importantes da história em quadrinho de onde o herói foi extraído. Em um desafio pessoal com Stark, os capangas de Mandarin destroem a famosa mansão do bilionário em Malibu, cenário importante nos dois filmes anteriores e também de Os Vingadores. Após o confronto, Stark acaba em uma cidade pequena no meio do nada. Sozinho, sem armadura e ainda sofrendo ataques, o personagem durão acaba, para surpresa de todos, amigo de um garotinho, Harley (Ty Simpkins), que se torna seu principal aliado.

Com este foco, Robert Downey Jr. é quem ganha. Comparado aos anteriores, o ator aparece mais e mostra que está em forma física para encarar cenas de luta. O restante do elenco também consegue segurar bem o roteiro, até a insossa Pepper Potts ganha destaque e se torna uma personagem que pode ser bem aproveitada em Os Vingadores 2.

No geral, o filme é distinto, mas mantém o tipo de enredo que construiu ao longo dos anos a reputação da franquia. Desta maneira, o herói da Marvel, que já arrecadou com os dois longas anteriores 1,2 bilhão de dólares, fecha bem a trilogia, e deixa poucas pontas para um retorno. Mesmo assim, não dá para bater o martelo do fim, já que, com franquias bilionárias, nunca se sabe.

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