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Morre aos 87 anos o escritor Ariano Suassuna

O autor paraibano havia sido internado na noite de segunda-feira no Hospital Português, no Recife, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC)

Por Da Redação 23 jul 2014, 18h13

(Atualizado às 19h55)

O escritor paraibano Ariano Suassuna morreu nesta quarta-feira, aos 87 anos, no Recife. Ele estava internado desde segunda-feira no Real Hospital Português, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) do tipo hemorrágico. Seu quadro clínico se agravou no dia seguinte, com queda da pressão arterial e aumento da pressão intracraniana, que acabou provocando uma parada cardíaca, segundo nota do hospital.

O velório acontece nesta quarta-feira em Recife no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo do Estado de Pernambuco. Das 22 às 23 horas, o velório será fechado somente para a família. A partir das 23 horas, será aberto ao público. O sepultamento acontece nesta quinta-feira às 16 horas no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, cidade da Grande Recife.

Autor de peças, romances, contos e poemas, com muitas adaptações para a TV e o cinema, Suassuna nasceu em 16 de junho de 1927, em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa, capital da Paraíba, e mudou-se com a família para Recife em 1942. Em 1946, iniciou o curso de direito na Faculdade de Recife, onde conheceu Hermilo Borba Filho, com quem viria a fundar o Teatro do Estudante de Pernambuco. No ano seguinte, ele escreveu sua primeira peça, Uma Mulher Vestida de Sol.

Do ano em que se formou, 1950, até 1956, ele dedicou-se à advocacia, mas não abandonou o teatro. Foram escritas nesta época O Castigo da Soberba (1953), O Rico Avarento (1954) e, especialmente, Auto da Compadecida (1955), até hoje seu texto mais conhecido. Drama passado no Nordeste do Brasil, a peça mistura elementos da literatura de cordel, cultura popular e tradição religiosa. Sua escrita tem traços de linguagem oral, que demonstram na fala do personagem sua classe social e sua origem. Auto da Compadecida foi exibida em 1999 em formato de minissérie pela TV Globo e no ano seguinte foi levada ao cinema, dirigida por Guel Arraes e estrelada por Matheus Nachtergaele e Selton Mello.

Desde 1990 ele ocupava a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é Manuel José de Araújo Porto Alegre, o barão de Santo Ângelo. Ele também integrava a Academia Paraibana e a Academia Pernambucana de Letras.

A obra de Suassuna é tema recorrente da cultura popular brasileira. No Carnaval de 2013, o Auto da Compadecida foi tema do samba enredo da escola paulistana Pérola Negra. O mesmo já havia ocorrido em 2002, quando o escritor foi tema da escola carioca Império Serrano, e em 2008, da paulistana Mancha Verde. Ele era torcedor fanático do Sport Club do Recife.

Política – O pai do escritor, João Suassuna, foi assassinado por motivos políticos no Rio de Janeiro durante a Revolução de 1930, e ele próprio se envolveu com política durante toda sua vida. O escritor foi secretário de Cultura de Pernambuco de 1994 a 1998, durante o governo Miguel Arraes, e também atuou no mesmo cargo como secretário especial do ex-governador Eduardo Campos, neto de Arraes. Amigo da família de Campos, Suassuna declarou seu apoio à candidatura do político do PSB à Presidência da República.

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