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‘Le Meraviglie’ mostra família disfuncional com ternura

O longa é um dos dois únicos da competição dirigidos pro cineastas mulheres

Por Mariane Morisawa, de Cannes 18 Maio 2014, 20h20

No ano em que o júri da competição do Festival de Cannes é presidido por uma mulher, o italiano Le Meraviglie, de Alice Rohrwacher, é um dos dois filmes comandados por cineastas do sexo feminino a concorrer à Palma de Ouro.

Exibido em sessão de imprensa na noite deste sábado, Le Meraviglie (As maravilhas, na tradução literal) é o segundo longa-metragem da diretora – o anterior é Corpo Celeste. Aqui, a protagonista é Gelsomina (Alexandra Lungu), uma menina em vias de se tornar mulher. Ela é o braço direito (e praticamente o esquerdo) de um bruto apicultor (Sam Louvyck), casado com a amorosa e atrapalhada Angelica (Alba Rohrwacher, irmã da diretora e atriz frequente no cinema italiano). O casal tem mais três meninas, para desgosto do pai.

Apertados de grana, sempre assolados por alguma praga que diminui a produtividade das abelhas, eles aceitam abrigar Martin (Luis Huilca), um menino alemão num programa de reabilitação juvenil, que vai desequilibrar um pouco a madura Gelsomina, a verdadeira chefe da casa. Apesar dos esforços de seu pai de isolar a família, a garota se inscreve num programa de televisão bizarro que premia fazendeiros, apresentado pela misteriosa Milly (Monica Bellucci).

Há um elemento de filmes gregos de famílias disfuncionais, com seus patriarcas severos, como Dente Canino, mas com muito mais ternura. Também existe uma certa proximidade de Le Meraviglie com Pequena Miss Sunshine, com seus personagens estranhos, atrapalhados e adoráveis, sem a mesma pegada indie. É um longa simpático e delicado, talvez demais para uma competição como o Festival de Cannes.

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