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‘Jessica Jones é feminista com F maiúsculo’, diz atriz

Nova série original da Netflix apresenta heroína pouco conhecida da Marvel que encara vilão abusivo

Por Daniel Dieb 8 dez 2015, 08h54

Jessica Jones, nova série original da Netflix, foi uma grata surpresa que o canal lançou no fim de novembro. Inspirado em uma história em quadrinhos para adultos, pouco conhecida da Marvel, o programa apresenta um roteiro intrigante, que prende, com personagens bem construídos e estética primorosa. Krysten Ritter (Breaking Bad) foi a eleita para dar vida à protagonista do título que precisa encarar um vilão agressivo, que a escravizou durante um período indeterminado. “A série é escrita por alguém que acredita na mulher. Jessica Jones é feminista com F maiúsculo”, diz Krysten, em entrevista ao site de VEJA, sobre Melissa Rosenberg (roteirista de Dexter e Crepúsculo), idealizadora do seriado.

Assim como em Demolidor, primeira série do site de streaming em parceria com a Marvel, Jessica perdeu a aura mística da HQ, não usa o uniforme brega em nenhum momento, não voa e está longe de ser a típica heroína que ganhará bonecas com seu nome. O estilo “gente como a gente” sobressai, com uma personagem problemática, que prefere o anonimato, veste jeans e jaqueta preta e só usa seus superpoderes (força, resistência e agilidade) em beneficio próprio. Ela tenta ganhar a vida como detetive particular e mantém seu escritório no apartamento precário onde mora, em Nova York.

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Nos primeiros capítulos, os poderes da personagem permanecem ocultos, e sua única habilidade aparente é a capacidade de beber muito uísque. Entre um trabalho e outro, Jessica é atormentada por flashbacks e rápidas visões, que serão explicadas apenas a partir do terceiro episódio, quando o vilão do programa, Kilgrave, interpretado pelo ótimo David Tennant (Doctor Who), é apresentado.

Kilgrave tem o poder de controlar mentes. Com um comando, as pessoas fazem tudo o que ele quer. É ele quem ainda atormenta o psicológico da heroína, alvo de uma obsessão doentia do vilão. Ao longo de 13 episódios, Jessica tenta proteger Nova York de Kilgrave, que retorna para atormentar e moça e deixa um rastro de destruição por onde passa.

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Confira abaixo a entrevista concedida pela dupla de atores ao site de VEJA:

Aos poucos, as mulheres começaram a ganhar espaço como heroínas na TV e no cinema. Acredita que isso é um reflexo da atualidade, em que o poder feminino tem sido mais discutido?

Krysten Ritter: Sim, este é um momento animador para a criação da nossa série, pois, a cada dia, surgem novas conversas sobre o tema do feminismo. A série é escrita por alguém que acredita na mulher. Jessica Jones é feminista com F maiúsculo. Então, para mim, é uma grande emoção fazer parte de algo tão inovador em tantas maneiras.

David Tennant: É excelente, mas é um pouco triste que isso seja tão raro. Nós deveríamos ter muitas séries protagonizadas por fortes personagens femininas e eu me sinto feliz por fazer parte de um programa que vai nessa direção.

Tennant, você foi um dos atores que deu vida a Dr. Who, um herói famoso da ficção científica. Agora, interpreta o vilão, Kilgrave. Qual a diferença entre dar veracidade a dois papéis tão distintos?

Tennant: A diferença está mais nos olhos de quem vê do que em mim. Em termos de interpretação, eu tento entender o que o personagem está fazendo e em quais circunstâncias. Quais seus motivos e aspirações? Assim, compreendo cada cena que surge. Então, para mim, não há diferença. Já o público terá que se acostumar com a mudança (risos), realmente, para quem vê é mais difícil.

Krysten também fez uma série importante na TV, Breaking Bad. Como foi a transição entre um programa famoso na televisão convencional e lidar com um personagem pouco conhecido na Netflix?

Krysten: Acredito que, no streaming, os criadores da série sentem certa liberdade criativa que eles não sentiriam em uma TV tradicional, que depende de audiência e publicidade. Eu amo todas as séries originais da Netflix. Especialmente pela maneira como os personagens conduzem as tramas. Sou fã de Orange Is The New Black e Bloodline. Além disso, ainda ganhamos quinze minutos a mais por episódio [de 50 minutos cada], pois não há o período do comercial. Assim é possível investir esse tempo nos personagens.

Tennant: Sem dúvidas é uma maneira diferente de se contar uma história, porque não há a preocupação em recapitular o episódio de uma semana para outra, nem a pressão para conquistar uma nova audiência. Mas o bom é que existe espaço para ambos os formatos. Há diferentes histórias a serem contadas em formatos distintos e eu considero maravilhoso o caminho seguido pelos canais de streaming.

https://youtube.com/watch?v=w9ATGrij5qI

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