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IMPERDÍVEL – ‘The Night Of’ é a boa série criminal da vez

Nova minissérie da HBO que estreia no domingo, dia 10, às 22 horas, é retrato meticuloso do sistema criminal americano

Por Meire Kusumoto - 8 jul 2016, 21h53

Naz (Riz Ahmed) é um jovem de origem paquistanesa que no fim de semana sai de casa no táxi do pai, sem avisar, para ir a uma festa. Ao ficar parado na rua, uma desconhecida (Sofia Black-D’Elia) entra no carro, achando que ele está trabalhando. Atraído pela moça, ele decide levá-la e eles acabam na casa dela, onde vão para a cama juntos, depois de beberem e se drogarem. Horas depois, Naz acorda no andar de baixo da casa, sem se lembrar do que aconteceu. Ele sobe e encontra a mulher na cama, nua, desacordada, esfaqueada e toda ensanguentada. Em pânico, foge, mas é parado pela polícia e, por causa de duas testemunhas, é preso e acusado da morte da moça. A premissa intrigante é contada no primeiro episódio da nova minissérie da HBO, The Night Of, que estreia neste domingo (10), às 22 horas.

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A produção, inspirada no seriado britânico Criminal Justice, era um projeto antigo do ator James Gandolfini (astro de Família Soprano), mas ficou inteiramente nas mãos de Steven Zaillian (A Lista de Schindler e O Gângster) e Richard Price (A Cor do Dinheiro e da série The Wire) depois de sua morte, em 2013. Escalado também para estrelar o seriado, Gandolfini acabou substituído por John Turturro, excelente no papel de Jack Stone, advogado que aceita o caso de Naz. “Eu admiro o trabalho do John Turturro há mais de 25 anos, desde o filme Faça a Coisa Certa (1989), e pensei nele para fazer o papel mesmo antes de o James se envolver com a série. O fato é que ele queria fazer alguma coisa na televisão ao mesmo tempo em que eu fiz, foi uma sorte”, afirma Steven Zaillian.

A facilidade para encontrar o intérprete de Stone não se repetiu para os outros personagens, afirma o produtor. “Não foi fácil escolher um ator para interpretar o Naz, para sintetizá-lo. É um papel muito exigente e cheio de nuances. Eu levei muito tempo até achar o Riz. (…) Vi um clipe de um filme que ele tinha feito, Quatro Leões. Eu o achei muito bom em cena, e o chamei para um teste. E foi decisivo para mim. Eu o vi sendo o Naz.” Zaillian também conta que testou vários atores para cada um dos cerca de 200 papéis com fala da série.

O resultado de todo esse trabalho fica visível em The Night Of. É uma produção muito bem feita, pensada em cada detalhe. Além do enredo misterioso (Naz matou ou não a garota? Se não foi ele, quem o fez?), os personagens são magnéticos e o roteiro, meticuloso. O piloto, de mais de uma hora de duração, acompanha cada momento de Naz, desde a sua saída de casa até o primeiro encontro com o advogado. As cenas mostram em detalhes os procedimentos de seu encarceramento – e isso, em vez de ser entediante, se mostra crucial para que o público se sinta mais próximo daqueles acontecimentos.

Desde sua criação, The Night Of foi pensada para ser um seriado baseado em procedimentos, que mostrasse com profundidade o sistema americano de justiça. É bom ver que esse formato, que se viu renovado recentemente com a série documental Making a Murderer, a produção da Fox The People v. O. J. Simpson: American Crime Story e o podcast Serial, funciona também na ficção.

Ao longo dos episódios – serão oito, no total -, questões políticas e sociais também devem surgir. “É uma história policial, sobre um crime, uma história que envolve a Justiça e prisões. Se você faz algo sobre tudo isso com honestidade, ela será naturalmente uma história social. (…) Cada personagem tem a sua própria vida, história, preocupações e motivações para fazer o que faz. Nenhum deles foi construído para gerar empatia nem para representar alguma coisa, nem ser herói ou vilão. Eles simplesmente foram criados para serem reais”, diz Zaillian.

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