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‘Guerra dos Sexos’ explica muito e não empolga na estreia

Primeiro capítulo decepcionou quem esperava se rasgar de rir com a novela

Por Maria Carolina Maia 1 out 2012, 20h49

Sucesso nos anos 1980 e com retorno anunciado há mais de um ano, Guerra dos Sexos decepcionou quem esperava se rasgar de rir na estreia da novela. Silvio de Abreu fez do primeiro capítulo um programa do que tratará o folhetim, como se o título já não bastasse para explicar: a trama será movida pelo embate entre homens e mulheres fora e – principalmente – dentro do mercado de trabalho.

Fraquinha, a abertura carrega referências à primeira versão da novela – com a clássica cena da briga de Charlô e Otávio no café-da-manhã – e o show das empreguetes, as cantoras-heroínas de Cheias de Charme. Impossível ver a animação da abertura e não lembrar das bonequinhas que dançavam ao som de Gaby Amarantos. A música-tema é a mesma da versão original: Guerra dos Sexos, de Augusto Cesar, Claudio Rabello e Miguel. Uma escolha que se justifica, mas não dá brilho para a trama. Que, aliás, neste primeiro capítulo não teve destaque na trilha.

Confira abaixo os principais pontos da estreia da nova Guerra dos Sexos:

19h07: Novela começa com leitura do testamento dos personagens de Fernanda Montenegro e Paulo Autran, a Charlô e o Otávio da primeira versão de Guerra dos Sexos, mortos durante um orgasmo — yes. Destinados pelos tios a dividir o comando dos negócios da família, os primos arquiinimigos Charlô (Irene Ravache) e Otávio (Tony Ramos) se atracam numa briga que, embora exemplifique a essência da novela, não tem a menor graça.

19h15: Diálogo entre Vânia (Luana Piovani) e Juliana (Mariana Ximenes) explica a guerra dos sexos na rede Charlô’s, de lojas de departamentos. É mulher de um lado, homem do outro, dizem elas. “Que coisa mais anos 80”, comenta a personagem de Mariana Ximenes, remontando à data de exibição da primeira Guerra dos Sexos, de 1983.

19h17: Destaque para o sotaque castelhano de Vitório (Carlos Alberto Riccelli, retornando às novelas após 24 anos). Parece uma homenagem póstuma a Ted Boy Marino, o herói do telecatch.

19h19: Diálogo do casal Roberta Leone (Gloria Pires) e Vitório (Carlos Alberto Riccelli) bate mais uma vez na tecla da briga dos sexos. Já está ficando chato.

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19h25: Primeira aparição de Felipe (Edson Celulari), filho adotivo de Charlô (Irene Ravache) e um dos protagonistas da novela. Na primeira cena, ele apresenta a característica mais marcante do seu personagem: é um mulherengo dado a noitadas e pouco afeito ao batente. Acorda atrasado para o trabalho e encontra uma calcinha perdida pela casa.

19h32: Felipe briga no trânsito com Roberta Leone, os dois dirigem lado a lado e quase se batem. Mais uma legenda explicativa da trama: “Tinha de ser mulher”, resmunga ele, que, apesar de filho adotivo de Charlô, é querido por Otávio e herdeiro dos dois. Afinal, ele é homem e Guerra dos Sexos é dividida entre bolinhas e luluzinhas – a essa altura você já entendeu, não?

19h40: A rivalidade entre homens e mulheres é o avesso de uma relação sexualmente tensa. Felipe tem em Vânia (Luana Piovani) uma de suas amantes. E Vitório trai a esposa, Roberta, com a secretária Veruska (Mayana Moura). Agora, sim, a novela ficou crocante.

19h44: Drica Moraes introduz o sotaque da Mooca, traço característico da obra do paulistano Silvio de Abreu, em Guerra dos Sexos. Ela faz Nieta, a irmã pobre de Roberta, que se casou com um homem rico – Vitório, dono da confecção Positano – e escapou ao miserê. Pobre e orgulhosa: Nieta não quer ir ao casamento do sobrinho porque não se sente parte do mundo deles.

19h50: Ulisses (Eriberto Leão) descreve com paixão a namorada, Carolina (Bianca Bin), filha de Nieta e sobrinha de Roberta, para o amigo Nando (Reynaldo Gianecchini), enquanto ela foge da casa da mãe, Nieta, para ir escondida à festa de casamento do primo, Kiko (Johnny Massaro), com Analú (Raquel Bertani), filha de Felipe (Edson Celulari). Coisas de novela: ela vai no porta-malas do carro de Otávio, que o motorista Nando dirige, sem que ele, que aliás parece distante de um gênio, perceba.

19h56: Analu desiste de casar. Felipe apoia, mas Roberta fica indignada. O nerd Kiko, rejeitado pela noiva bonitinha, chora nos braços da mãe.

19h58: Longe da festa, a aventureira Charlô voa. O piloto que a leva desmaia quando o avião entra em pane. Mais uma deixa para uma legenda-explicativa: “Seu banana! E nós é que somos o sexo frágil”. Ok, ok, não precisa desenhar.

19h57: O anúncio do rompimento dos noivos dá em confusão. Roberta acerta uma torta na cara de Felipe. Vitório vai ao chão: ele morre vítima de um enfarte. É o fim do retorno de Carlos Alberto Ricelli às novelas, após 24 anos. Perdemos o sotaque do Walter Mercado, sem dúvida uma das coisas mais engraçadas da estreia.

20h: Jesus Luz não apareceu. Que pena, não? O mundo ainda não conheceu seu talento.

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