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Festival de Veneza abre com potencial indicado ao Oscar

Filme ‘Birdman’, dirigido por Alejandro González Iñárritu, concorre ao Leão de Ouro e tenta repetir o feito de ‘Gravidade’, lançado no evento em 2013

Por Mariane Morisawa, de Veneza 27 ago 2014, 10h42

O argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco participa com um dos curtas do filme Words with Gods (Palavras com Deuses, em tradução literal), sobre fé e espiritualidade no mundo. Outro representante brasileiro é o curta de animação Castillo y el Armado, de Pedro Harres.

O tradicional Festival de Veneza começa sua 71ª edição nesta quarta-feira com a exibição de Birdman (or the Unexpected Virtue of Ignorance), novo filme do mexicano Alejandro González Iñárritu que tenta repetir o feito de seu amigo e compatriota Alfonso Cuarón em 2013, quando abriu o evento com o inventivo Gravidade e iniciou sua campanha rumo ao Oscar, onde conquistou sete estatuetas, entre elas a de melhor diretor. A diferença este ano é que Birdman concorre ao Leão de Ouro – Gravidade passou fora de competição. Os vencedores deste ano serão anunciados no sábado, dia 6 de setembro.

O mais antigo festival de cinema do mundo tenta se manter no jogo da corrida pelo Oscar, hoje dividida com Toronto, Telluride e Nova York, além de eventos do primeiro semestre, como Sundance, Berlim e Cannes. Porém, como diz seu diretor Alberto Barbera, procura resistir às pressões do mercado que a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood também representa.

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Sem nenhum filme latino-americano, a competição tem 13 europeus entre 20 selecionados. A lista prescinde de nomes já bastante consagrados e, por isso, aposta sem medo em formatos pouco tradicionais para uma disputa deste tipo, como o documentário The Look of Silence, uma coprodução entre Dinamarca, Finlândia, Indonésia, Noruega e Reino Unido dirigida por Joshua Oppenheimer (que disputou o Oscar este ano com o documentário O Ato de Matar), e o russo The Postman’s White Nights, de Andrei Konchalovsky, em que pessoas de uma vila interpretam a si mesmas. Lembrando que, no ano passado, foi o documentário Sacro Gra, de Gianfranco Rosi, que levou o Leão de Ouro.

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É difícil traçar uma linha comum entre todos os concorrentes, que lidam com assuntos como o genocídio armênio (The Cut, de Fatih Akin), a crise econômica nos Estados Unidos (99 Homes, de Ramin Bahrani), a morte de um cineasta (Pasolini, de Abel Ferrara) e a máfia calabresa (Anime Nere, de Francesco Munzi). Mas, além de ser claramente bastante masculina, a competição parece querer falar dos dilemas éticos e morais e da crueldade.

O júri da competição é presidido pelo compositor francês Alexandre Desplat e composto pela atriz chinesa Joan Chen, o diretor alemão Philip Gröning, a cineasta austríaca Jessica Hausner, a escritora inglesa Jhumpa Lahiri, a figurinista inglesa Sandy Powell, o ator inglês Tim Roth, o cineasta palestino Elia Suleiman e o diretor italiano Carlo Verdone.

Praxe dos grandes festivais de cinema, Veneza também tem sua dose de astros e estrelas, como Michael Keaton, Edward Norton e Emma Stone (em Birdman), Andrew Garfield (99 Homes), Al Pacino (com Manglehorn, de David Gordon Green, na competição, e The Humbling, de Barry Levinson, fora) e James Franco (que exibe The Sound and the Fury fora de competição e recebe o prêmio Jaeger-LeCoultre Glory to the Filmmaker).

Enquanto isso, fora de competição, há um número maior de figuras famosas no circuito artístico, como Peter Bogdanovich, diretor de A Última Sessão de Cinema (1971), que volta após longo afastamento com She’s Funny That Way, estrelado por Owen Wilson e Imogen Poots. O israelense Amos Gitai apresenta Tsili, sobre uma jovem judia que sobrevive à Segunda Guerra escondida na floresta. O português Manoel de Oliveira, de 105 anos de idade, exibe o curta-metragem O Homem do Restelo.

Mostrando que a fronteira entre televisão e cinema inexiste, a minissérie Olive Kitteridge, de Lisa Cholodenko, também estreia primeiro no Festival de Veneza. O argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco participa com um dos curtas do filme Words with Gods (Palavras com Deuses, em tradução literal), sobre fé e espiritualidade no mundo. Outro representante brasileiro é o curta de animação Castillo y el Armado, de Pedro Harres.

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