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Eu fui: os acertos e as roubadas dos primeiros dias de Rock in Rio IV

Opções de diversão e serviços como banheiros funcionaram bem no primeiro turno da festa. Segurança e transporte ainda são a pedra no sapato do rock

Por Rafael Lemos, da Cidade do Rock - 26 set 2011, 10h29

Quem pretende assistir aos shows dos próximos quatro dias de Rock in Rio precisa ter em mente um dado objetivo: trata-se de um evento para 100 mil pessoas por noite, e é praticamente impossível eliminar totalmente desconfortos como filas, espera e longas distâncias para se chegar aos serviços

Os problemas de infraestrutura que marcaram o primeiro fim de semana do Rock in Rio 2011 mostram que, apesar da evolução, ainda há muito o que aprimorar no festival. Se por um lado a grama sintética deixou a lama no passado, outros transtornos tão ou mais incômodos se fizeram presentes, como falhas na segurança e uma evidente sobrecarga dos serviços de alimentação. Os brinquedos e as lojas de souvenir, assim como praticamente tudo na Cidade do Rock, foram motivo para longas e demoradas filas. Quem pretende assistir aos shows dos próximos quatro dias de Rock in Rio precisa ter em mente um dado objetivo: trata-se de um evento para 100 mil pessoas por noite, e é praticamente impossível eliminar totalmente desconfortos como filas, espera e longas distâncias para se chegar aos serviços.

Logo na sexta-feira, primeiro dia do festival, um arrastão durante o show de Claudia Leitte levou pelo menos 50 pessoas a registrar queixa. O episódio ainda se repetiu algumas vezes. Na fila para entrar na Cidade do Rock, o público foi vítima de uma série furtos na altura da favela Vila Autódromo. Do lado de dentro, as filas também foram o alvo predileto dos bandidos.

No sábado, policiais militares se juntaram aos agentes da Prosegur, empresa responsável pela segurança no evento. Mesmo assim, esse dia teve o recorde de ocorrências policiais, com 180 registros de furtos e extravios. De acordo com boletim divulgado por volta das 22h, neste domingo foram menos, 54, as queixas feitas junto à Prosegur. Além disso, 40 pessoas foram retiradas do local do evento por invasão, além de outras 10 por falta de credenciamento e ingressos falsos.

Achados e perdidos – Para quem acha que foi furtado ou perdeu a carteira, vale lembrar que a organização do festival disponibiliza um setor de “achados e perdidos” no quiosque do Rock in Rio Club, próximo à Rock Street. Somente nos dois primeiros dias de evento, a limpeza da Cidade do Rock, feita após as 4h, encontrou mais de 320 documentos (identidade, carteiras de motorista, entre outros itens).

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A partir de quarta-feira, 28, os objetos encontrados estarão disponíveis no “achados e perdidos” no edifiício sede dos Correios, na av. Presidente Vargas, 3.077, Cidade Nova, Rio de Janeiro. O funcionamento da agência é de segunda a sexta-feira, das 9h às 15h. Para mais informações, o telefone é (21) 2503-8611.

Banheiro, alimentação e brinquedos – Um dos acertos dessa edição do Rock in Rio foi aposentar os banheiros químicos, tradicionalmente um dos pontos baixos desse tipo de evento. Este ano, eles foram substituídos por banheiros de verdade, ligados à rede de água e esgoto. Além de chegar ao fim da noite em estado razoável, esta foi uma das poucas áreas em que o público não precisou enfrentar filas no Rock in Rio.

Já na hora da fome, o público sofreu de todas as maneiras possíveis. Além do preço salgado, foi preciso passar mais de uma hora na fila, em média, para conseguir comprar algo. E o pior: muita gente reclamou que, no fim, a rede de fast food do festival entregava os sanduíches congelados por dentro. Até comprar cerveja revelou-se uma tarefa difícil. Mas, nesse caso, a solução veio logo, com ambulantes servindo chopp no meio do público — e, claro, cobrando mais caro por isso.

Outro motivo de fila foram os brinquedos, como a roda gigante e a tirolesa. Para curtir essas atrações, era preciso muita, mas muita paciência. Mas, a julgar pela disposição do público para enfrentar o suplício, a experiência deve ter valido a pena.

Lixo – Se a organização tem que repensar algumas coisas, o público também precisa aprender boas maneiras. Chicletes, copos, papéis e plástico tomaram conta do chão. Só neste domingo, foram retiradas 40 toneladas de resíduos da Cidade do Rock. Desse total, 30 toneladas de materiais potencialmente recicláveis foram encaminhadas para a Estação de Transferência de Jacarepaguá, de onde serão levadas para a Cooperativa Barracoop.

Outras 10 toneladas de lixo orgânico estão sendo levadas para a Usina do Caju para compostagem e transformação em adubo orgânico. Os catadores da Barracoop recolheram 11 toneladas de recicláveis, principalmente papelão, papel misto, plástico e latas. Os contêineres são identificados com adesivos de coleta seletiva e lixo orgânico para estimular o descarte correto pelo público.

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