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E.L. James: Agora sem chicote

Em 'Mister', seu primeiro livro fora do universo de 'Cinquenta Tons de Cinza', a escritora atenua cenas de sexo para explorar drama de uma imigrante ilegal

Por Raquel Carneiro Atualizado em 17 jul 2019, 16h53 - Publicado em 7 jun 2019, 07h00

O primeiro livro da trilogia Cinquenta Tons está perto de completar dez anos. Como sua vida mudou desde então? Foram muitas mudanças. Sinto que estou mais livre. Trabalho por prazer, e não por obrigação. E tenho condições de cuidar da minha mãe, que sofre de Alzheimer, além de poder apoiar causas que me interessam.

Seu novo livro fala sobre imigrantes ilegais e tráfico humano. São causas do seu interesse? Sim, durante minha pesquisa para a trama fiquei horrorizada com o que li sobre o assunto, as abominações pelas quais essas pessoas passam. São temas que merecem mais atenção. E sou filha de imigrantes: minha mãe é chilena.

Os britânicos precisam melhorar o tratamento aos imigrantes? Sim. Só recentemente a imigração virou uma controvérsia no Reino Unido. Quando leio o noticiário, fico triste com as opiniões negativas de algumas pessoas sobre a imigração. A maioria desses imigrantes trabalha duro para contribuir com os países que os recebem. Sem falar que eles adicionam muito às culturas locais.

Nas redes sociais, aliás, a senhora já se disse contrária ao Brexit.  Acho que o Reino Unido ficará enfraquecido sem a União Europeia. Sou absolutamente contra o Brexit. Eu me sinto britânica e europeia, não vejo contradição em ser as duas coisas. Creio que somos mais fortes juntos. O direito dos trabalhadores, das mulheres, questões sobre agricultura e meio ambiente — tudo isso está em leis já bem estabelecidas na Europa. Deixar a UE pedirá a reavaliação desses direitos, o que pode ser prejudicial ao povo.

A senhora perdeu fãs nas redes sociais desde que começou a falar mais de política? Sim. O ódio é o novo ópio das massas. Algumas pessoas estão nervosas porque a diferença entre os pobres e os ricos tem diminuído, e essas mesmas pessoas descontam sua raiva em celebridades nas redes sociais. Para mim, as redes são uma ótima ferramenta, mas também uma arma terrível.

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Em Mister, um homem poderoso se rende a uma jovem ingênua, algo que também acontece na sua trilogia anterior. Por que essa escolha? Gosto de ver homens poderosos ser desarmados por jovens mulheres.

A senhora se considera feminista? Com toda a certeza. Feministas simplesmente querem respeito e direitos iguais aos dos homens. Por que querer menos? Ainda criancinha, percebi que eu era feminista. Minha mãe é uma mulher muito forte e impetuosa. Ela administrava toda a nossa casa e ainda trabalhava o dia inteiro fora — é meu melhor exemplo de feminismo em ação. Realizar meu sonho de ser uma escritora e apresentar estes livros ao mundo é a coisa mais feminista que já fiz. Escrevo para mulheres. Mulheres sentem desejos, e estes livros são sobre isso.

 

 

Publicado em VEJA de 12 de junho de 2019, edição nº 2638

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