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‘Dupla Identidade’, acredite, é a melhor criação de Gloria Perez

Série policial que tem dado audiência de 17 pontos em São Paulo, ótima para o horário que ocupa, deve ter segunda temporada em 2015

Por Maria Carolina Maia 19 dez 2014, 12h05

Ok, o currículo ajuda. Mas o fato é que Dupla Identidade, a série sobre o serial killer Edu (Bruno Gagliasso) que conclui a sua primeira temporada na noite desta sexta-feira, na Globo, parece ser a melhor coisa já feita por Glória Perez, a autora de novelas como O Clone e Salve Jorge – aquela em que a protagonista deu à luz sem tirar o shortinho.

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A caçada policial por Edu teve início dia 19 de setembro e vem se desenrolando ao longo de treze episódios – número que se tornou um padrão para temporadas de séries de TV. Exibida a partir das 23h30, segura a audiência, que anda na casa dos 16, 17 pontos na Grande São Paulo, uma marca ótima para o espaço que ocupa na grade da Globo. Não à toa, deve voltar no ano que vem, como a autora já adiantou no Twitter.

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Ibope à parte, a série tem seus atrativos. Tem também, é verdade, as suas toneladas de clichês, como o policial que se sente ameaçado pela colega imposta em uma investigação, com a qual acaba se envolvendo amorosamente, e o político sujo que tem um filho rebelde, apenas para citar alguns. Mas, de maneira geral, o enredo funciona, prende e surpreende com as cenas pesadas em que Edu ataca as suas vítimas, muitas vezes desconhecidas que ele escolhe nas ruas – cenas que definitivamente estão bem encaixadas perto da meia-noite.

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Na última semana, o serial killer, depois de fugir da delegacia levando Vera (Luana Piovani) como refém e escudo, se sente instigado a matar, e mata logo três em sequência, antes de ser parado pela polícia por dirigir com uma cerveja na mão, no interior do Rio. A série mostra tudo: a aproximação, o jogo de sedução e o bote, quando se dá a inflexão do serial killer. Gagliasso não faz feio no papel principal, o segundo maluquinho de sua carreira – ele já foi o esquizofrênico Tarso em Caminho das Índias, que, justiça seja feita, não era uma novela tão ruinzinha assim. Edu, que na vida civil usa o avatar de advogado, namorado e voluntário em um centro de valorização da vida semelhante ao CVV, se transforma no momento em que, como descreve a psiquiatra forense Vera, mulher-legenda e um dos pontos fracos do texto, ele se sente “um deus”. Gagliasso mostra empenho.

Do outro lado da caçada, Marcello Novaes está muito bem como o delegado Dias. O ator já havia mostrado em Avenida Brasil que possuía um talento até então insuspeitado, e aqui repete o feito como um delegado que é a pura cara do estresse – e que outra cara pode ter quem vive sob pressão constante de famílias de vítimas, imprensa, políticos e da própria esposa, deixada de lado pelo trabalho e pela colega de trabalho? E que oscila entre a ética e a vaidade.

O restante do elenco, reforçado por bons atores como Débora Falabella na pele da borderline Ray, namorada do serial killer, Aderbal Freire Filho como o senador Otto Veiga e Marisa Orth como a infeliz mulher do senador, ajuda a dar credibilidade à história.

Até mesmo Luana Piovani, que vinha abusando de uma atuação fria, beirando a psicopatia interpretativa, mostrou evolução nas últimas semanas. O crescimento da atriz é um resumo da trajetória da série, que começou como um pastiche de seriados americanos e, embora não tenha conseguido deixá-los completamente para trás, já que o texto fica abaixo elenco, direção e produção no quadro de notas, termina com dignidade e desempenho suficientes para ser chamada de acerto. Da Globo e de Gloria Perez.

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