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Da alta costura às lojas populares, conheça as criações de Karl Lagerfeld

Designer de moda que também comandava Fendi faleceu nesta terça-feira, 19

Por Juliana Varella e Ana Weiss 19 fev 2019, 17h18

Karl Lagerfeld foi uma figura fora do comum no mundo da moda. Nascido na Alemanha e criado na França desde a adolescência, o artista entrou cedo para o mundo da moda e foi um dos primeiros estilistas a trabalhar como freelancer, transitando entre França, Itália, Inglaterra e Alemanha. Antes de assumir seu papel mais famoso como diretor de criação da Chanel, ele chegou a trabalhar para oito marcas simultaneamente.

Tudo começou com um casaco de lã, que ele desenhou para um concurso em 1955 e que lhe rendeu uma vaga como assistente de Pierre Balmain. Dez anos depois, Lagerfeld assumiria o comando da marca italiana Fendi e revolucionaria seus pesados casacos de pele, lançando versões mais leves, coloridas e costuradas com técnicas até então inexploradas.

Foi na Fendi que Lagerfeld começou seus experimentos performáticos em desfiles, subida criativa que aceleraria nove anos depois, com o lançamento da marca que leva seu nome. Ele ainda passaria pela Chloé entre 1964 e 1974 e, em 1983, assumiria a francesa Chanel. Lá, ele inicia um longo processo de renovação e atualização, com o desafio de respeitar a tradição e identidade da marca.

Para o professor de História da Moda da FAAP, João Braga, Lagerfeld fez na Chanel coisas que a própria criadora da marca, Gabrielle ‘Coco’ Chanel, teria feito, com exceção da minissaia. “Ela não teria desenhado nada acima do joelho, mas isso foi uma atualização necessária que ele trouxe”, explica. Segundo ele, o estilista também atualizou o colar de pérolas, a imagem da camélia (símbolo da marca) e as peças bicolor, todos tradicionais da casa. “Ele rejuvenesceu Chanel”, diz.

Braga também ressalta que Lagerfeld era um criador “compulsivo”, chegando a lançar até 16 coleções por ano no auge da carreira. “Ele não era só criativo, mas tinha o domínio técnico e era um profundo conhecedor da cultura geral”, aponta o professor, lembrando que o artista ajudou a resgatar o tom feminino na casa parisiense, que vivia uma crise entre os anos 70 e 80.

  • Também fotógrafo, Lagerfeld compreendeu desde cedo a necessidade de aproximar o mundo da alta costura do universo fast-fashion e realizou diversas parcerias com marcas populares. No Brasil, o estilista chegou a criar para a rede Riachuelo e, nos Estados Unidos, para a H&M. Lagerfeld ainda criou uma coleção de tênis e mochilas para a Vans.

    No cinema, as criações do artista para a Chanel estão sempre presentes nos tapetes vermelhos das maiores premiações. Em 2015, Julianne Moore vestiu um modelo branco de alta costura para receber seu primeiro Oscar, pelo papel em Para Sempre Alice. O vestido levou 987 horas para ser feito e envolveu o trabalho de 27 pessoas. Em 2018, Margot Robbie vestiu outro Chanel branco personalizado para concorrer ao Oscar por Eu, Tonya e, no mesmo dia, foi anunciada como embaixadora da marca.

    Kristen Stewart, que foi integrante do júri do festival de Cannes em 2018, também é embaixadora da marca e desfilou uma sequência de figurinos assinados ao longo do evento, incluindo um vestido preto cheio de babados arrematado por um broche de leão.

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