Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Cemitério de Automóveis encena A Medusa de Ray-ban

Por Da Redação 1 mar 2012, 10h53

Por AE

São Paulo (AE) – A proposta é ambiciosa. Até dezembro, a mostra do grupo Cemitério de Automóveis pretende reunir dez peças: sete obras do repertório. Além de outros três trabalhos inéditos. Não convém, porém, esperar de Mário Bortolotto a organização e o pragmatismo que costumam caracterizar um evento dessa monta. “Eu ainda não sei quais peças vou remontar. Preciso pensar, ver que amigos vão estar disponíveis, essas coisas. Não tenho um grupo. Tenho uma gangue”, diz o dramaturgo, ator e diretor.

Com início previsto para sábado, no espaço Estação Caneca, a mostra celebra os 30 anos do Cemitério de Automóveis, grupo que nasceu em Londrina, sedimentou-se em São Paulo e sempre funcionou como uma grande “ação entre amigos”.

Espetáculo que projetou Bortolotto em São Paulo, A Medusa de Ray-ban será a primeira das remontagens a entrar em cartaz. A peça, que estreou em 1997, chamou a atenção à época pelos novos temas de sua dramaturgia. Mobilizava um público essencialmente jovem – e refratário ao teatro – ao embaralhar referências de outras linguagens, como as histórias em quadrinhos e o rock-n�-roll. “Não sou uma coisa só. Fui formado por essas influências e gosto de brincar com tudo”, pontua Bortolotto.

Também soavam surpreendentes os personagens que ele focalizava. Representantes do submundo, bandidos, bêbados, transgressores. Todo um lastro que evidenciava sua ligação com o beatnik Charles Bukowski e o transformava no herdeiro direto do teatro sujo de Plínio Marcos.

Em Medusa, Bortolotto flagra os conflitos de um grupo de quatro assassinos de aluguel. Impregnada de violência, a situação também não descarta o humor. Afinal, as crises decorrem justamente do fato desses matadores levarem demasiadamente a sério sua “profissão”.

Pela obra, Bortolotto recebeu o Prêmio Shell de melhor autor em 1997. Mas o trabalho serviria ainda para chamar atenção para suas artes como diretor. Sem cenário, a encenação se valia exclusivamente da iluminação para criar ambientes e climas. Apenas focos de luz delineavam as ações – o que daria à montagem a velocidade dos cortes cinematográficos. Para a nova versão, a promessa é manter a estética. Além de escalar antigos companheiros de Bortolotto: atores como André Ceccato, Paulo César Pereio e Fernanda D�Umbra. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Continua após a publicidade
Publicidade