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Camila Pitanga vive triângulo amoroso em ‘Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios’

Atriz oferece interpretação visceral a personagem de livro de Marçal Aquino

Por Carol Nogueira
20 abr 2012, 12h10

Quando os cineastas Beto Brant e Renato Ciasca, mesma dupla por trás de filmes de prestígio como Cão Sem Dono, decidiram transportar para as telas a obra Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios, ótimo romance do escritor Marçal Aquino, sabiam que estavam frente a um desafio. Afinal, adaptar um livro para o cinema pode não ser das tarefas mais fáceis. Seja a narrativa complexa e rocambolesca – como é o caso de Eu Receberia… – ou não, o risco que se corre em acabar criando uma caricatura da obra original é tremendo.

No caso de Eu Receberia…, os diretores sabiam que não conseguiriam contemplar todos os aspectos da obra complexa criada por Aquino. Decidiram, então, focar em apenas um ponto da trama. Para isso, contaram com a ajuda de Aquino, que contabiliza aqui sua quinta parceria com Brant, para roteirizar as 232 páginas do livro em um longa de 1h40. “O livro tem tantas coisas interessantes que é difícil pinçar uma ou outra. Nós precisávamos focar em alguma coisa”, disse Ciasca em entrevista ao site de VEJA.

O objeto de enfoque dele e de Brant é a personagem Lavínia, uma espécie de Capitu – de Dom Casmurro – dos dias atuais, citada no livro como uma mulher misteriosa e sedutora. Camila Pitanga, que já viveu uma garota de programa na novela Paraíso Tropical, volta a interpretar papel semelhante. Lavínia vai de prostituta e dependente química à mulher do pastor Ernani (Zecarlos Machado), quando ele a resgata da vida nas ruas. Mais tarde, a história de amor entre ela e o pastor fica em segundo plano para servir apenas de pano de fundo para um caso tórrido com o forasteiro Cauby (Gustavo Machado).

O romance com o rapaz dá margem a cenas de nudez frontal tanto de Camila quanto de Machado, mas a atriz diz não ter se importado em tirar a roupa para gravar. “A nudez ainda é um tabu na nossa sociedade, mas a proposta do filme é outra. É a do sexo pela natureza, por isso topei fazer e não me arrependo”, afirma a atriz.

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Assim como a paixão de Camila pelo papel, sua entrega a ele é notável. “Foi meu papel mais difícil. Fiquei muito impactada quando li o livro, me emocionei muito com a história dela”, diz Camila, que oferece uma interpretação visceral e aparece quase esquelética em uma parte do filme. Para isso, ela teve de fazer dieta durante três semanas. “Não comia quase nada”, afirma. O esforço, porém, valeu a pena: sua performance lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival do Rio no ano passado e muitos elogios da crítica.

A preocupação com Lavínia acabou deixando o restante da trama demasiadamente em segundo plano. Não sobra muito tempo para aprofundar as histórias dos outros personagens, que acabam apenas pincelados. Assim como no livro, pouco se sabe da história de Cauby, que aparece em Santarém – cidade do Pará em que se passa a história – sem aviso prévio e que o espectador não sabe de onde veio. Sabe-se apenas que ele é fotógrafo. Uma ou outra pista sobre sua vida é dada ao longo do filme, como sua origem – o sul do país. “Tivemos que cortar algumas cenas, porque achamos que não importava para o espectador. Filmamos, por exemplo, a cena em que Lavínia conhece o Cauby, mas não ficou boa”, afirma Brant.

Também fica em segundo plano o conflito de terra do local, uma reserva indígena. Brant e Ciasca poderiam ter aproveitado o calor do tema no filme, e os três meses que a equipe morou em Santarém durante as gravações.

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