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Britney Spears encerra turnê brasileira com show-truque

Dançarinos, luzes, vídeos e apetrechos não foram capazes de esconder o momento de inflexão pelo qual passa a cantora

Por Rodrigo Levino 19 nov 2011, 09h56

A cantora americana Britney Spears apresentou em São Paulo, nesta sexta-feira, o segundo show da turnê do disco Femme Fatale no Brasil, onde não cantava desde 2001. A apresentação foi iniciada pontualmente às 22 horas, precedida por uma contagem regressiva de 30 minutos, que serviu para excitar o público de cerca de 30.000 pessoas.

O show de uma hora e meia, em que revisitou grandes sucessos da carreira, expôs um momento curioso da trajetória de Britney, que cantou (?) acompanhada por um DJ e um tecladista. Revelada ainda na infância em um programa de TV, a cantora se tornou parte da história recente da música pop a partir de 1999, quando lançou o hit arrasa-quarteirão Baby One More Time. Mas passa agora, aos 29 anos, por um ponto de inflexão: nem é tão jovem e disposta como há dez anos nem amadureceu e se tornou relevante o suficiente como Madonna, mentora de seus pares desde os anos 1980. O que lhe dá um ar de decadência precoce.

Esses aspectos foram ressaltados pelo excesso de mise-en-scène do show, atulhado de apetrechos eletrônicos, estruturas alegóricas (escadas, barco, trono e até um poste de pole dance que ela usou com um fã da plateia), vídeos de um stalker fissurado pela cantora e dançarinos. Nada foi capaz de esconder o óbvio: não há uma música sequer que não seja dublada e falta a ela swing, molejo. Britney dança mal.

Do repertório, tirando a ausência de Oops… I Did It Again, lançada em 2000, no auge da carreira, quando começou a ser chamada de “princesinha do pop”, não há lacunas significativas. Estão lá canções fundamentais como Piece Of Me, Gimme More (lamentavelmente em uma versão mais lenta), Baby One More Time, Toxic, Womanizer, além das recentes Hold It Against Me (que abre o show) e Till The World Ends, do disco lançado este ano.

Mas a força das canções se diluiu na falta de espontaneidade. Ensaiado à exaustão, o show fez da música um suporte para o apelo sexual de sua performance e trilha sonora de um espetáculo que mirou em Madonna mas, não raro, passou bem perto de uma mistura de Gretchen com Cirque Du Soleil. Ao vivo, Britney mostrou que é preferível conservar a memória dos bons tempos e o valor das boas músicas que ainda lança, graças a bons produtores e compositores, ouvindo os seus discos.

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