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Adrilles, o poeta maldito do ‘BBB15’

Pernóstico, mineiro tem fala recheada de palavras que nem o avô dele devia usar. Por vezes sem sentido, faz lembrar o que Romário disse sobre Pelé: é um poeta quando calado

Por Amábile Reis 2 fev 2015, 16h46

“Um dia, você se acostuma com a minha estranheza.” É dessa maneira que Adrilles Jorge, o autointitulado poeta do Big Brother Brasil 15, se apresenta para as “moçoilas” nas redes sociais – logo que entrou no reality show da Globo, ele foi apontado por várias como um stalker (perseguidor) virtual. A defesa é sincera. Apesar das frases rebuscadas e do jorro constante de proparoxítonas, quase sempre desnecessárias, o público acaba aceitando a empulhação da figura mais peculiar do BBB15, e, quem sabe, de toda a história do programa. Não só porque é dele boa parte das pérolas que pululam no confinamento do Projac, mas porque, se em terra de cego quem tem um olho é rei, em reality show quem tem um mínimo de inteligência é mesmo um poeta. Ainda que maldito.

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O poeta (maluco) de Minas Gerais vem tentando, em vão, mascarar a sua verdadeira personalidade de intelectual pedante para se aproximar dos telespectadores. Nem sempre consegue, como nesta segunda-feira, em que, atarantado por ter ido parar no paredão ao lado de Douglas, o motoboy sem noção de São Paulo, ele bradava alucinado na cozinha do confinamento: “Pior do que sair agora é ficar sem interlocutor na casa”. Adrilles falava com Cézar e Aline, que pareciam pouco ou nada entender do que dizia o pobre coitado de Belo Horizonte. “Com quem vou filosofar?”, perguntava, com uma risadinha de Mona Lisa diante dos dois e, antes que se ouvisse um cri-cri-cri de fundo, já emendava outra pergunta, com a mesma velocidade com que profere suas pílulas de sabedoria. “Vai, Cézar, me conta uma história que retransfigurou a sua existência”. Cri-cri-cri.

Quando desiste de parecer inteligente e tenta ganhar sorrisos da plateia, Adrilles se mostra tão pobre quanto nos versos que compõe para as pretendidas – como em uma esquete do Zorra Total. Por exemplo, quando achou válido informar sobre os seus movimentos peristálticos. “Já fui ao banheiro duas vezes hoje”, disse, sem coletar um único riso dos colegas.

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Adrilles pode não ser um comediante, mas com certeza é um apaixonado incorrigível. Sua intenção declarada ao entrar no reality show era “explorar as suas opções sexuais e afetivas”, já que ele, no alto de seus 41 anos, só teve “relacionamentos espasmódicos”, seja lá o que isso queira dizer. Apelidado por alguns de Édipo, uma vez que discorre a todo tempo sobre a sua “progenitora”, o xarope já escolheu uma vítima para perseguir dentro da casa do BBB: Tamires. Ele se refere à mineira como a sua namoradinha, para infortúnio da sister e diversão do público. Na hora do flerte, não faltam cantadas impagáveis. “Você engorda nos lugares certos”, disse, provando para o Brasil a face de todo o seu cavalheirismo loser. “Tamires é a soma de todos os meus fetiches”, disparou em outra ocasião.

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​Com tentativas de paquera mais furadas que as de Pedro Bial, Adrilles vai costurando o seu espaço no Big Brother Brasil e pode se garantir no paredão desta terça-feira, em que disputa a permanência com Douglas. Desde que saiba falar o necessário – e dar ao público as pérolas que todos querem ouvir. No caso de Adrilles Jorge, a bem da verdade, vale parafrasear a crítica feita a Pelé por Romário, tempos atrás. De boca fechada, esse mineiro é um verdadeiro poeta.

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