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‘Adoção é uma atitude nobre’, diz Elba Ramalho, mãe de 3 filhas adotadas

A cantora paraibana lança seu novo álbum 'Eu e Vocês' produzido pelo filho Luã e com participação das filhas

Por Felipe Branco Cruz Atualizado em 21 jan 2021, 09h12 - Publicado em 26 nov 2020, 13h44

Reclusa em sua casa de praia, em Trancoso, na Bahia, a vovó de primeira viagem Elba Ramalho, 69 anos, lançou na última sexta-feira, 20, um de seus discos mais familiares e divertidos: Eu e Vocês, gravado com a produção do filho Luã Yvys, no estúdio que Elba mantém em sua casa no Rio de Janeiro. O novo trabalho da cantora paraibana conta com doze faixas, sendo quatro inéditas, inclusive a canção que dá nome ao álbum, gravada com Luã e as três filhas adotadas Maria Clara (no ukulele), Maria Esperança e Maria Paula (cantando superafinadas).

Elba Ramalho é devota de Nossa Senhora e católica praticante. No disco, ela conta com a participação do amigo Padre Fábio de Melo em O Inverno é Você. O sanfoneiro Mestrinho, outro amigo de longa data, toca com ela o cativante xote Eu Vou Chegar Chegando. Em entrevista por telefone a VEJA, de Trancoso, Elba falou com orgulho dos filhos, relembrou como superou a Covid-19 e disse que está fazendo um livro de memórias que envolve as aparições de Nossa Senhora.

A senhora se contaminou com Covid-19. Como enfrentou a doença? Tirei de letra, graças a Deus. Estou ótima agora. Me recuperei e estou malhando. Já corro seis quilômetros na praia. Fiz um check-up recentemente e está tudo certo. Eu cuido muito do meu organismo.

Há anos que a senhora é vegetariana. Isso a ajuda também? Ah, eu estou comendo um peixinho eventualmente. Mas há 40 anos que não como carne. A minha tendência é ser vegetariana. Eu vivo na natureza. No Rio de Janeiro a minha casa é no meio da floresta. Aqui em Trancoso também. Sou meio bicho da terra, bicho do mato, sabe?

A senhora é uma das grandes atrações das festas juninas, especialmente no Nordeste. Já voltou a fazer shows? Eu fiz aqui em Trancoso com o Toni Garrido. Eu tenho alguns shows marcados em dezembro. Vou estrear um novo projeto com o padre Fábio de Melo sobre o Luiz Gonzaga no Allianz Parque em 13 de dezembro, no dia do Forró. O projeto vai se chamar Dois Para Sempre. Também tenho lives marcadas em dezembro e um show na Paraíba. Estou voltando a cantar, embora com uma plateia menor e ajustado as exigências. Para 2021, meu plano é sair na estrada com o show desse novo disco.

A senhora é devota de Nossa Senhora e muito religiosa. Como é a sua relação com o Padre Fábio de Melo? É uma amizade pessoal. Admiro ele como sacerdote. Ele é culto e profundo. Aprendo muito com ele. Às vezes ele vem para Trancoso e a gente canta junto. Quando conheci o padre, eu puxei muito para o meu lado místico. Ouço muito os aconselhamentos dele.

Em que pé que está a biografia que está escrevendo sobre seus encontros com Nossa Senhora? Ainda não sei se vai sair. É um envolvimento meu com Nossa Senhora e as aparições dela e minha vivência com ela. Preciso refletir bastante para saber como colocar esse livro no mercado.

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As suas três filhas são adotadas e o Brasil tem um deficit muito grande de adoções. Que sugestões daria para melhorar esse sistema e incentivar mais adoções? O sistema é lento e burocrático para as necessidades do país. Eu, que tenho minhas três filhas adotadas, aconselho muito minhas amigas. As pessoas não devem desistir. A adoção é uma atitude muito nobre e desperta na gente um sentimento de amor e de solidariedade. Têm casais que esperam até quatro anos para adotar e os orfanatos estão lotados. Não acho que a legislação tenha que ser relapsa, afinal, vivemos num mundo-cão. Mas o processo poderia ser mais ágil.

Em 1997, a senhora revelou a VEJA que tinha feito um aborto quando jovem. Recentemente, um caso chocou o Brasil com uma multidão de religiosos em frente a um hospital tentando impedir um aborto legal de uma menina de 10 anos que engravidou após ter sido violentada diversas vezes. Qual é a sua posição hoje? Eu não acompanhei esse caso porque estava com Covid-19. Eu não gostaria de falar sobre esse caso. Todo mundo sabe que eu faço parte do movimento pró-vida nacional. Eu sempre vou achar que é melhor deixar viver do que matar. Essa é a minha opinião pessoal. Sempre é possível dar um jeito de salvar as duas vidas. Afinal de contas, o mais inocente na história é o bebê. Deve-se lutar sempre para salvar a mãe e a criança. Sempre.

A música Eu e Vocês é uma composição super família. Com a participação de todos os filhos. Como foi gravar, pela primeira vez, com suas três meninas? A faixa foi composta por Zélia Duncan e Juliano Holanda. Ela é minha amiga e sempre que vem em Trancoso fica aqui em casa. Quando ela terminou a música, ela me ligou e disse que tinha feito pensando em mim. Achei muito singela e estava procurando um título para o álbum que expressasse o convívio familiar. As meninas apareceram na música de surpresa, feita pelo Luã. Eu sabia que elas eram afinadas, mas ainda são meninas, né? A Esperança tem uma vertente para música muito forte. Ela é muito segura e madura para os 14 anos.

Como foi ter seu filho Luã como produtor bem na época em que nasceu sua primeira neta, Esmeralda? Foi uma experiência nova. Eu já tinha trabalhado com ele alguns anos atrás em Do Meu Olhar Para Fora. Agora, na quarentena, a convivência foi muito maior. Ele é muito doce e competente. É um músico muito sério, exigente e perfeccionista. Gostei de vivenciar isso com ele. Ele teve muito respeito por mim e pela minha experiência. Foi uma coisa gostosa sem atritos. Foi até muito emocionante, o que me deixou ainda mais orgulhosa dele. Esse é um disco que fala de amor, mas de uma maneira universal. Temos que amar mais e evitar derramamento de sangue. Meus discos sempre vão ter leveza e essa busca pela felicidade, apesar da pandemia. A Esmeralda foi um grande presente do céu. Ela nasceu no meio da quarentena com muita saúde. Família é família. A gente se ama muito e vive junto. O Luã merece e tem uma energia e uma vibração boa.

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