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‘A Menina que Roubava Livros’ se perde em salada de temas

Baseado no best-seller do australiano Markus Zusak, filme até consegue entreter por duas horas, mas erra ao tentar contar muitas histórias em pouco tempo

Por Meire Kusumoto 31 jan 2014, 17h15

A adaptação para o cinema de A Menina que Roubava Livros estreia no país, nesta sexta-feira, sob alta dose de expectativa dos fãs que leram o livro do australiano Markus Zusak, desde 2007 no país. E não foram poucos: o romance foi um verdadeiro sucesso editorial e permaneceu 99 semanas seguidas na lista de mais vendidos de VEJA, onde aparece agora na quarta posição, acumulando 111 semanas não consecutivas na relação. Foi esse êxito, diga-se de passagem, que projetou no mercado a Intrínseca, então uma pequena editora carioca de apenas quatro anos, que se consolidaria comercialmente com fenômenos como as séries Crepúsculo e Cinquenta Tons de Cinza. O filme, dirigido por Brian Percival (responsável por alguns episódios da série de TV Downton Abbey), segue a obra com fidelidade, na medida do possível. Mas ainda sem um futuro tão promissor quanto o livro, o longa deixa a sensação de que algo está faltando – ou sobrando.

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Na vizinhança, a menina tem um amigo, Rudy (Nico Liersch), garoto divertido e dado aos esportes que sonha em ser como Jessie Owens, o americano negro que se destacou nas Olimpíadas de Berlim de 1936, em plena Alemanha nazista, ao receber quatro medalhas nas provas de atletismo. A tranquilidade vivida por Liesel na casa de Hans e Rosa é abalada, como não poderia deixar de ser, pelo estouro da Segunda Guerra Mundial. Além da tensão que a família compartilha com os vizinhos durante ataques aéreos e outros momentos, o trio se vê em situação delicada quando passa a esconder em sua casa o judeu Max (Ben Schnetzer), filho de um soldado que havia salvado a vida de Hans durante a Primeira Guerra Mundial.

Somada a esse enredo, há a escolha interessante feita por Zusak, e repetida pela produção, de narrar a história pela perspectiva da Morte, que se torna uma personagem com vontade e voz – no filme, a do ator Roger Allam. Todas essas tramas correm em paralelo, sustentadas por boas atuações, principalmente a de Sophie Nélisse, que faz uma Liesel forte e delicada, ao mesmo tempo. No entanto, na tentativa de dar conta de tudo o que o texto de Zusak aborda, A Menina que Roubava Livros acaba se tornando uma salada de temas, algo que é indispensável a um romance, mas em um filme pode confundir o espectador e deixar de lado aprofundamentos importantes em certas partes da história.

Brian Percival, com carreira consolidada na televisão, ainda é iniciante no cinema, e dirige de forma determinada a não sair da zona de conforto. Por isso, o filme não erra feio a ponto de aborrecer quem está diante da tela, mas também não consegue provocar grandes emoções ou impressionar por sua originalidade. É uma adaptação que entrega ao espectador duas horas de entretenimento e uma bela trilha sonora, lembrada, inclusive, nas indicações ao Oscar, e só.

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