Professor da UFRJ transforma cozinha em espaço de representatividade
Breno Cruz, também conhecido como Preto Gourmet, é idealizador do Festival Gastronomia Preta
Nascido em Viçosa, interior de Minas Gerais, e formado em Administração em Lavras, Breno Cruz, 43, também conhecido como Preto Gourmet, entrou para o universo da gastronomia quando passou em um concurso para professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na área de gestão de serviços no Bacharelado em Gastronomia. Ele é idealizador do projeto de extensão Pretonomia, da UFRJ, e do Festival Gastronomia Preta, que será realizado nos dias 7, 8 e 9 de novembro, no Centro do Rio, sendo referência em iniciativas que unem gastronomia, cultura afro-brasileira e impacto social. Em sua trajetória, também criou o Prêmio Gastronomia Preta, voltado à valorização da cadeia produtiva da cozinha negra.
“A principal motivação foi perceber a invisibilidade dos profissionais pretos na gastronomia, especialmente na alta gastronomia. A ideia do projeto é justamente dar visibilidade a essas pessoas, mostrando que elas são fundamentais para o funcionamento de toda a cadeia produtiva. O prêmio e o festival não se limitam à cozinha, mas abrangem todas as etapas do processo — da produção ao serviço. Meu objetivo é que essas trajetórias sejam reconhecidas e valorizadas, quebrando essa lógica de invisibilidade que ainda persiste. O grande desafio é a captação de recursos. No Brasil ainda falta o olhar de formuladores de políticas públicas e gestores públicos para entender o Gastronomia Preta como parte de uma rede maior, ligada à economia criativa, ao turismo, à educação e à geração de renda para pessoas em situação de vulnerabilidade”.
No Brasil, o Festival Gastronomia Preta já integra o primeiro Guia do Afroturismo Brasileiro, produzido pelos ministérios do Turismo e da Igualdade Racial. Recentemente, Breno também assinou um acordo de cooperação com o Ministério do Turismo e do Lazer da Costa do Marfim. O documento estabelece um programa de intercâmbio cultural e gastronômico entre os dois países, com duração inicial de três anos. Entre as ações previstas após o acordo estão a publicação de um livro bilíngue com dez receitas emblemáticas da culinária marfinense, o intercâmbio de chefs e profissionais de gastronomia, além da realização de eventos, oficinas e festivais que promovam a cozinha brasileira e marfinense no cenário internacional.






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