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Ailton Krenak sobre gestão Bolsonaro: ‘Parecia uma guerra civil’

Uma das maiores lideranças indígenas do país, o ambientalista e escritor fala a VEJA sobre política, consumo desenfreado e a vida como imortal da ABL

Por Valmir Moratelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 4 dez 2023, 20h17 - Publicado em 4 dez 2023, 09h41

Ambientalista, filósofo e escritor, Ailton Krenak, 70 anos, ostenta dois títulos: o de doutor honoris causa pela Universidade Federal de Minas Gerais e pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Como líder indígena, exerceu papel fundamental na conquista dos direitos indígenas na Constituição de 1988. Autor de Ideias para Adiar o Fim do Mundo, A Vida Não É Útil e Futuro Ancestral, entre outros, Krenak se tornou recentemente imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) – o primeiro indígena na centenária instituição. Em conversa com a coluna no programa do YouTube desta semana, ele fala sobre política, critica o agronegócio e explica por que não tem coragem de colocar a mão no Rio Doce, às margens de onde mora, em Minas Gerais. Assista.

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO. “Estamos em um admirável mundo novo, onde a ideia de admirável pode ser sinônimo de estupefato. Uma humanidade que perdeu a perspectiva de si mesma, não tem memória de quem é. E anda por aí dando golpes, atacando outros povos, eliminando, aniquilando e nos colocando à beira do colapso global. Essas lideranças políticas deviam ter vergonha de ocupar esse lugar. Os governos do mundo todo agora são serial killers, brincam de fazer guerra e de aniquilar suas populações, em qualquer continente.”

ENVENENADOS. “Somos um dos países que mais consomem agrotóxico. Tem uma campanha que chama ‘O veneno está na mesa’. A maioria das pessoas não sabe que o que compra na feira e leva para casa já está envenenado. Ninguém come mais em casa. A indiferença com nosso alimento é uma tragédia monumental, porque nenhum bicho desconhece o que come.”

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MEDO DO RIO. “Vivo aqui à margem do Rio Doce, aquele que a mineradora arrebentou há oito anos e vai ficar mais uns 20 com as pessoas da aldeia sendo supridas com caminhões-pipa, trazendo água de centenas de quilômetros daqui, porque a bacia está empestada com mineração. Vão falar que a Vale do Rio Doce, a BHP, a Samarco foram responsabilizadas e têm que indenizar, levar água, comida. Eles nos confinaram dentro do nosso território, mantêm a gente sob vigilância, é isso que essas corporações fazem no mundo inteiro. A 300 metros da minha janela passa o Rio Doce e eu não tenho coragem de colocar a mão nele. É um absurdo.”

GOVERNO BOLSONARO. “As ferramentas de gestão ambiental foram desmanteladas, intencionalmente, bases de dados destruídas. Ou seja, parecia que a gente estava vivendo uma guerra civil ou que um governo estrangeiro tinha nos invadido para destruir a estrutura de governança do país. A parte ambiental do país ficou totalmente aleijada. Já que todo mundo gosta de pensar em economia, vamos pensar em uma empresa bem estruturada. CEO doido começa a acabar com tudo, demite todo mundo e bagunça a contabilidade. Aí ele devolve a empresa para você quatro anos depois e pergunta: ‘E aí, tem panetone no Natal?’.”

MINISTÉRIO DOS POVOS INDÍGENAS. “É muito importante que a gente tenha um ministério que indica, dentro do aparato do Estado brasileiro, a obrigação de atender populações indígenas. O mais grave para mim é eles terem criado esse ministério e retirado do Ministério da Justiça a instância que historicamente fazia o acompanhamento dos processos de demarcação de terras indígenas, colocando-a num ministério que não consegue acionar dispositivos necessários. Por exemplo, o ministério podia convocar a Polícia Federal e mandar executar uma ação, tirar garimpeiros. Pegou mal retirar essa atribuição do Ministério da Justiça.”

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VIDA DE IMORTAL. “É interessante (ele se tornou imortal da ABL). Está gerando muito mais efeito do que imaginava. Na primeira oportunidade de estar num chá na Academia, fui lá visitar os meus colegas e tive oportunidade de participar de uma reunião, sem direito de voz. Eu até ri da situação toda. Porque pensei: ‘Logo agora que todo mundo quer direito de fala, eu fui participar de uma reunião de uma instituição que me tira o direito de fala’. Era para eu ficar calado. Eu parecia uma coruja: o olho arregalado e mudo.”

BRIGA COM DANIEL MUNDURUKU. “Foi uma polêmica, que nem chamo de polêmica. O que teve foi uma falta de gentileza do Daniel em declarar para um jornal que eu havia traído um acordo com ele. Como se lá (na ABL), a gente de fora pudesse escolher. Eu não precisei fazer nada. A minha candidatura foi feita pela Academia Mineira de Letras.”

 

 

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