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Thomas Traumann é jornalista e consultor de risco político. Foi ministro de Comunicação Social e autor dos livros 'O Pior Emprego do Mundo' (sobre ministros da Fazenda) e 'Biografia do Abismo' (sobre polarização política, em parceria com Felipe Nunes)
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As lições do Chile para a política brasileira

Tanto a esquerda quanto a direita podem aprender com Boric e Kast

Por Thomas Traumann Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
21 dez 2021, 18h33

O Chile viveu em dois anos o turbilhão político que Brasil atravessa desde 2013. Das gigantescas manifestações estudantis em 2019 ao discurso antipolítica que arrasou com os partidos tradicionais, das denúncias de corrupção que quase derrubaram o presidente até o surgimento de candidato de extrema direita admirador da ditadura militar, o Chile chegou às mais polarizadas eleições da sua história. Os três partidos que governaram o país desde a volta da democracia em 1990 (o Socialista, o Democrata cristão e o Chile Vamos) ficaram fora do segundo turno, perdendo para os dois candidatos mais radicais. O ex-líder estudantil esquerdista Gabriel Boric, de 35 anos Boric tinha um discurso abertamente anticapitalista. O advogado de extrema-direita José Antonio Kast, de 55, admirador de Trump e Bolsonaro, cresceu com o mesmo discurso antissistema que fez tanto sucesso no Brasil 2018. O jovem Boric ganhou por quase 1 milhão de votos de diferença (o que é muito no Chile) e sua vitória traz algumas lições para o Brasil:

1. Quem se move para o centro, leva vantagem – No primeiro turno, Kast e Boric somaram pouco mais de 53% dos votos válidos, espremendo os candidatos das outras faixas ideológicas. Quando chegou o segundo turno, no entanto, foi Boric que se moveu mais, atraindo para si os centro-esquerdistas do Partido Socialista (“Tenho uma boa opinião do segundo governo de Bachelet”, disse no último debate) e pedindo conquistando os Democratas Cristãos com um inusitado pedido de desculpas (“minhas críticas eram imaturas”).

2. O discurso radical levanta a torcida, mas não ganha o jogo – Como mostrou o cientista política Maurício Moura, na revista Exame, o discurso de “se não votar em mim o país vai virar uma Venezuela” agita os militantes da direita, mas não basta para vencer a eleição. “O problema é que ser “antissistema” quando se chega ao poder passe a ser um exercício bem mais complexo. No governo é preciso governar. Não basta reproduzir medo, é necessário produzir resultados”, escreveu. Fica a lição para Bolsonaro.

3. As ruas são capazes de renovar a política. Boric é apenas um da dezena de estudantes que em dez saíram dos protestos de rua para chegar ao Congresso e, no caso dele, no Palácio Presidencial. No Brasil, as marchas de 2013 não produziram lideranças significativas. As de 2016, geraram o MBL.

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4. A nova cara da esquerda inclui a defesa de igualdade de raça, legalização do aborto, direitos LGTQ+ e mudanças climáticas. A esquerda chilena e a memória de Marielle Franco são personagens mais próximos dos interesses da nova geração do que os revolucionários grisalhos de Cuba, Venezuela e Maduro, como explicou o cientista político Oliver Stuenkel.

5. A civilidade é que faz a democracia – Embora tenham tido um confronto dura, Boric e Kast se encontraram na noite da eleição. Kast telefonou ao adversário reconhecendo a derrota e depois o visitou para mostrar que o Chile está acima das suas divergências. Seria maravilhoso se o perdedor da eleição de outubro de 2022 tivesse o mesmo gesto.

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