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Por Kelly Miyashiro
Críticas e análises sobre o universo da televisão e das plataformas de streaming
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Fabiana Karla revela como lida com TDAH: “Faço questão de falar”

Em entrevista, atriz conta sobre nova fase da vida e da carreira, com o Prime Video – onde estreia a comédia 'O Primeiro Natal do Mundo' nesta sexta, 8

Por Gabriela Caputo
6 dez 2023, 15h27

Com dois lançamentos no Prime Video, a atriz e humorista Fabiana Karla está em uma nova fase da carreira — e da vida. Na sexta-feira, 8, chega à plataforma o longa festivo O Primeiro Natal do Mundo, em que interpreta Silvana, uma inconveniente síndica de condomínio que, também dona de uma loja, está disposta a aproveitar o potencial de lucro da data ao máximo. Na trama, duas famílias de três pessoas viram uma de seis, quando Tina (Ingrid Guimarães) e Pepê (Lázaro Ramos) se casam. No primeiro Natal que celebram juntos, uma das crianças se frustra e, num momento de fúria, deseja que o Natal desapareça. Seu pedido é atendido e o mundo inteiro esquece da festividade, sobrando para a recém-formada família a tarefa de restaurar o espírito natalino.

Em novembro, a atriz de 48 anos estreou, também pelo Prime Video, como apresentadora da terceira temporada de LOL: Se Rir, Já Era!, ao lado de Tom Cavalcante. No reality show, comediantes se enfrentam em batalhas cujo objetivo é fazer o adversário rir. Quem não consegue segurar o riso é eliminado da disputa.

Após encerrar seu contrato com a Globo no ano passado, Fabiana foi contratada pela Amazon para, além de atuar, desenvolver seus próprios projetos — “botar a mão na massa”, em suas palavras. São duas produções em andamento, sobre as quais ainda não revela detalhes. “O que eu fazia na TV aberta me deu toda a expertise para poder trabalhar com qualidade agora no streaming. São pratos diferentes de se degustar, mas estou muito satisfeita com os novos desafios”, contou ela a VEJA. Confira a entrevista:

Nos últimos anos, plataformas de streaming têm investido em produções nacionais que refletem a maneira brasileira de celebrar o Natal. Como enxerga essa onda? Eu acho maravilhoso. Filme de Natal traz uma coisa tão boa. É um cheiro de transformação, é uma máquina do tempo que permite acessar lugares e momentos felizes da nossa infância. O Primeiro Natal do Mundo é divertido e genuinamente brasileiro, por retratar a magia natalina da forma como conhecemos por aqui. A família protagonista é linda, caótica e cheia de representatividade. Muita gente vai se identificar.

Qual a sua relação com essa festividade? Sou a maluca do Natal. Adoro decorar a casa, fazer camisetas iguais para meus filhos vestirem, até carrossel inflável já tive. Neste ano vou levar a família toda para passar a data em Gramado, no Rio Grande do Sul. O espírito do filme me contagiou mais ainda.

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Se pudesse sumir com alguma data comemorativa, como uma criança faz no filme, qual escolheria? Eu criaria mais, na verdade. Adoro festa. Amo Carnaval também. Nasci em Pernambuco, que é um celeiro carnavalesco, com algumas das maiores festas do Nordeste — tanto que até escrevi um livro para crianças, chamado O Rapto do Galo, sobre o Galo da Madrugada, que é um dos símbolos da data no Recife. 

Você descobriu recentemente, no pós-pandemia, um diagnóstico de TDAH (Transtorno de Déficit de atenção com hiperatividade). Como foi o processo? Tudo o que eu antes pensava ser criatividade, descobri ser o hiperfoco do TDAH. Gasto muita energia em qualquer movimento da minha vida, é um esforço atroz, isso mexia muito com as minhas relações interpessoais. O diagnóstico foi importante para encontrar ferramentas. Estou aprendendo a lidar bem com isso, e tendo mais qualidade de vida. É um momento muito especial para mim. Faço questão de falar sobre o assunto para que as pessoas saibam que é possível viver com TDAH, mas também para entenderem do que se trata, já que são feitas tantas piadas sobre ele por aí.

Fabiana Karla como Silvana em 'O Primeiro Natal do Mundo': ela compartilha o amor pelo Natal com sua personagem
Fabiana Karla como Silvana em ‘O Primeiro Natal do Mundo’: ela compartilha o amor pelo Natal com sua personagem (Prime Video/Divulgação)

Nos últimos anos, o audiovisual passou a retratar melhor as mulheres de meia-idade e seus desejos. Como enxerga esse movimento? Penso que a mulher de 50 de hoje é como se fosse a de 30 de antes. Acho que as pessoas no geral estão buscando ter mais saúde, e falar de sexo, de libido, é sobre saúde. Os tabus estão sendo desmistificados, e as mulheres buscando entender seus corpos, seus prazeres. Eu fiz 48 e estou envelhecendo como vinho. Tive três filhos, agora estou na menopausa, e posso dizer que estou na minha melhor fase — em todos os sentidos. Gosto muito de sexo, mas também adoro cuidar de mim. Quando escuto alguém dizer que sente falta de ter 20 e poucos anos, discordo. Eu era ferrada, não tinha grana para os acessos que tenho hoje.

Você fala muito sobre o empoderamento de mulheres gordas, e já se manifestou contra produções que faziam piadas gordofóbicas. Sente que se tornou referência para outras mulheres? Eu sou portadora de uma doença crônica e recorrente que é a obesidade. Vou viver com ela para o resto da vida, mas escolhi como lidar com ela e acho que estou indo bem. Surpreendentemente, isso virou um serviço: minha existência acabou sendo inspiração para outras mulheres, tanto da minha faixa etária quanto meninas mais jovens. Recebo esses depoimentos e fico lisonjeada, mas é uma grande responsabilidade inspirar alguém. 

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Como avalia o humor feminino nas produções brasileiras hoje? Há mais espaço? Existe um machismo estrutural, assim como na música e em outras áreas, mas que as minas estão quebrando. Quando você tem um bom texto, um bom trabalho, se sobressai, não tem jeito. O humor é uma ferramenta muito potente para apontar as feridas da sociedade de maneira mais amena. Quando a gente aproveita nossa vivência enquanto mulher para fazer piada, tem muito pano para manga, porque tem coisas que são tão absurdas que se tornam patéticas. Torço muito pela nova geração de comediantes femininas, que estão fazendo muito bonito.

Quando soube que era boa fazendo comédia? Com a minha família, que foi minha primeira plateia. Meu avô tinha uma loja e eu gostava de imitar os clientes. Ele dizia que eu ia ser artista. Eu também não suportava ver minha mãe chateada, me dava até uma certa culpa, então fazia de tudo para que ela desse risada. Só mais tarde fomos descobrir que ela tinha fibromialgia, por isso do semblante mais dolorido. No geral, escutar a risada das pessoas, ver que o ambiente estava leve, era muito gostoso. Foi isso que me motivou a ser humorista.

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